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Home Acontece Ajudar Deus a pintar flores
Ajudar Deus a pintar flores PDF Imprimir E-mail
Escrito por Eliana Haddad   
Sex, 20 de Janeiro de 2012 17:31
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Em 1974, numa entrevista à TV Tupi, Francisco Cândido Xavier contou uma história que o emocionara bastante.

O apresentador Flavio Cavalcanti (1923-1986), na ocasião, salientou que, ao anunciarem  que iriam entrevistá-lo no programa, várias penitenciárias haviam pedido autorização para que seus aparelhos de tevê ficassem ligados até mais tarde, porque os presidiários gostariam de ouvi-lo e vê-lo. Avisava a Chico, então, que chegava-lhe a informação de que, em quase uma dezena delas, os aparelhos se encontravam mesmo ligados, estando  os detentos a lhe pedir uma palavra de carinho e de amor.

Chico respondeu humildemente que a notícia o surpreendia bastante. “Nada fiz para merecer essas atenções, nem tenho possibilidade ou dotes quaisquer para corresponder a tanta grandeza de alma”, disse, pedindo permissão para contar um episódio ocorrido meses atrás.

 

- Conheci em Uberaba uma criança de seis anos que, costumeiramente, acompanhava a própria mãezinha à cidade de Igarapava e a cidades outras de nossa vizinhança à procura de trabalho. Esse menino que se locomovia com muita dificuldade chamava-se Pedro. Demorou-se perto de nós cerca de dois meses, frequentando a beneficência da Comunhão Espírita Cristã. Certa vez, perguntei-lhe: “Pedro, o que é que você quer ser quando for homem feito?” Ele respondeu: “Tio Chico, quando crescer eu quero ajudar Deus a pintar as flores!”

Aquilo me enterneceu muito e eu disse: “então, você vai ser um grande artista”.No dia seguinte ao nosso diálogo, um veiculo em disparada atropelou o menino. Fui vê-lo, no colo materno, entre a expectativa da morte que se aproximava e o enternecimento que o garoto me suscitava ao coração, e perguntei-lhe: “Pedro, o que é que você quer agora? O papagaio de papel ou o carro de brincar de que você gosta tanto?

Ele me disse: “Tio Chico, eu quero... eu quero ajudar Deus...”

Emocionado, o médium mineiro, que era ouvido em todo o Brasil, continuou então sua observação, enviando então seu recado aos presidiários:

- Meu Deus, se todos nós andássemos no trânsito respeitando os sinais; se amássemos mais profundamente os nossos semelhantes ao guiar as nossas máquinas!... Refiro-me a este episódio porque todas as crianças são nossos filhos, em todos os níveis sociais. Os Espíritos Benfeitores explicam sempre que as crianças são esperanças de Deus, que vieram até nós ajudando a Deus, colorindo por isso mesmo, a nossa vida de felicidade e paz.

Com referência ao assunto, rogo licença para lembrar aos amigos que nos emprestam atenção e bondade que nós todos também certas vezes desrespeitamos os sinais vermelhos da lei e consequentemente entramos em grandes dificuldades, embora ninguém atropele ninguém por querer. Em várias ocasiões, achamo-nos sob clima psicológico difícil. Nossos irmãos nos presídios, em escolas de tratamento espiritual, são, como nós, filhos de Deus.

Jesus, quando nos recomendou entregar os nossos julgamentos aos juízes, para que não viéssemos a julgar erradamente uns aos outros, compreendia de certo que geralmente temos - digo isso de mim – determinado grau de periculosidade e que, em virtude disso, precisamos de misericórdia de todos. Todos estamos presos a circunstâncias, a provações, problemas e lutas. Quem de nós não está encerrado em alguma estreiteza, dentro dos nossos próprios sonhos e ideias na própria vida humana? Com todo o nosso coração, desejamos aos nossos irmãos, nos presídios, paz e amor, muita alegria, esperança e também muito respeito à justiça, porque a violência não ajuda ninguém.

Seguiram-se  muitos aplausos e Flávio Cavalcanti continuou seu programa, dando prosseguimento às perguntas. No final, a pedido do jornalista, Chico Xavier psicografou  a mensagem Sempre amor (Maria Dolores) dirigida aos detentos, aos doentes, a todos que sofrem.

 

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