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Home Acontece O aspecto espiritual da fundação de São Paulo
O aspecto espiritual da fundação de São Paulo PDF Imprimir E-mail
Escrito por Redação   
Qua, 25 de Janeiro de 2012 13:28
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O quadro espiritual que se desdobrou ao médium Chico Xavier, quando esteve presente em São Paulo para receber o título de Cidadão Honorário das mãos dos vereadores da Câmara Municipal sempre é bastante lembrado, nas passagens dos aniversários da cidade, no dia 25 de janeiro.
Ao ocupar a tribuna para agradecer, Chico faz algumas considerações sobre a história de São Paulo.
Lembra que ao celebrar a primeira missa, na manhã de 29 de agosto de 1553, no Alto de Inhapuambuçu, hoje Pátio do Colégio, padre Manoel da Nóbrega, fundador de São Paulo, foi visitado pelo Apóstolo Paulo, que lhe apareceu "nimbado de luz".
Paulo apontou-lhe as campinas circunjacentes e lhe pediu fundasse, no Planalto Piratiningano, uma cidade, em nome de Jesus, que se estabelecesse sobre as quatro colunas básicas do cristianismo: amor, fé, trabalho e instrução.

Padre Nóbrega apressou, então, o início das obras do Colégio de Piratininga no Planalto, entre os rios Tamanduateí e o Anhangabaú, cuja inauguração se deu em 25 de janeiro de 1554, data que relembra a conversão de Paulo de Tarso.
O texto completo do discurso de Chico sobre São Paulo, que se encontra no livro Até sempre Chico Xavier, de autoria de Nena Galves, mereceu ainda comentários de J. Herculano Pires no artigo intitulado “Cidadania paulistana”, publicado na coluna dominical "Chico Xavier pede licença" do jornal Diário de S. Paulo, na década de 1970.
Ele apresenta o texto intitulado "Mensagem de paz", ditado a Chico Xavier pelo espírito Emmanuel, que Herculano Pires (com o pseudônimo Irmão Saulo) comenta por meio do seu texto "O esquema de Deus". Eis o texto de Herculano:

Cidadania paulistana

A Câmara Municipal de São Paulo outorgou a Francisco Cândido Xavier o título de Cidadão Paulistano.* Escrevemos ao médium felicitando-o e considerando a significação do fato para o espiritismo, que vem assim obtendo o reconhecimento oficial do seu valor religioso e cultural em nosso país, de maneira inteiramente espontânea. Chico Xavier respondeu com a carta que abaixo transcrevemos em seus tópicos essenciais.

Caro amigo:

A sua carta foi para mim uma bênção de reconforto e alegria. Muito grato pelo que me diz, com a sua bondade de amigo. Sinceramente, nunca fui a qualquer solenidade de caráter espírita com a ideia de estar ali com o meu nome ou supostos méritos pessoais. Sempre tenho ido a essas ocorrências cumprindo um dever para com os nossos princípios. Nada mais do que isso.

Sempre me sinto, nessas ocorrências, à feição do mais ínfimo empregado de uma organização que estivesse nesses acontecimentos para receber algum documentário claramente da firma que me engajou em serviço. Apesar disso, a ala dos adversários não se cansa de me escrever acusando-me de vaidade, de orgulho, de pedantismo e de outras perturbações.

herculanowaldochicoAgradeço, desse modo, as suas benditas palavras, porque as considerações que temos recebido são dedicadas ao espiritismo e não a mim. E, em verdade, não posso responder com pedradas a essas manifestações de respeito e carinho para com a nossa doutrina.

Envio-lhe a mensagem psicografa em nossa reunião pública. Alguns dos visitantes comentaram, antes da reunião, o problema da paz. Isso acontecia provavelmente em razão dos acontecimentos do Vietnã, nos dias últimos, e as opiniões, como sempre sucede, eram as mais variadas.

As tarefas começaram e O livro dos espíritos nos ofereceu a exame a questão 921, surgindo edificantes explanações de parte dos irmãos presentes.

Ao término da reunião, o nosso caro Emmanuel escreveu a página "Mensagem de paz".

 

* Recebido em grande solenidade realizada na capital paulista a 19 de maio de 1973.


Mensagem de Paz

Emmanuel

Na aplicação de qualquer receita destinada à composição da felicidade, não te esqueças do aviso de que a felicidade nasce de ti mesmo.

Não aguardes do mundo a segurança que tão somente poderá ser construída por ti mesmo, dentro de ti.

Nunca menosprezes o trabalho que a vida te confiou.

A tarefa que desempenhas hoje é a base de teu apoio futuro.

Aceita-te como és e com aquilo de que disponhas para realizar o melhor que possas.

Observa sempre que não existe criatura alguma destituída de valor e da qual não venhas a necessitar algum dia.

Quanto possível, conserva a luz da virtude que te norteia a elevação, mas não permitas que a tua virtude viva sem escadas para descer ao encontro daqueles que se debatem sob a ventania da adversidade a te pedirem socorro e compreensão.

Sê fiel ao campo que abraças, sem desconsiderar a parte da verdade em que os outros se encontram.

Usa a paciência nas pequenas dificuldades para que te não falte serenidade nas grandes crises que todos somos levados a falsear nas trilhas do tempo.

Não te apegues aos anseios da juventude, nem te acomodes com o cansaço de muitos que ainda não aprenderam a viver com a criatividade da madureza.

Recorda que até hoje ninguém descobriu o ponto de interação onde termina a fadiga e começa a ociosidade.

Em qualquer tempo, exercita a fortaleza espiritual para que as tuas energias não se dissolvam, de inesperado, quando as calamidades da experiência humana se façam inevitáveis.

Resigna-te a transitar no mundo, entre os que se te revelem na condição de opositores naturais aos teus pontos de vista, mas não formes inimigos nem cultives ressentimentos.

Não abuses e nem brinques com os sentimentos alheios.

Guarda a tua paz, ainda mesmo nas grandes lutas.

Não creias em pessimismo e derrota, solidão e abandono, porque se amas conformes determinam as leis do Universo, descobrirás a beleza e a alegria em qualquer circunstância e em qualquer parte da Terra.

E jamais desesperes, porquanto sejas e estejas onde estiveres, ninguém te pode furtar o privilégio da imortalidade e nem te arredar do Esquema de Deus.


O Esquema de Deus

Irmão Saulo

Estamos todos no Esquema de Deus. Esse esquema nos leva, através do tempo, à paz da eternidade. Mas o conceito estático de eternidade não prevalece no espiritismo, onde ela aparece como duração. O tempo é a visão fragmentária da duração, um recorte do absoluto para o uso das nossas percepções relativas. Os que se apegam ao relativo, às ilusões do temporário, esquecidos de sua própria transcendência, vivem na inquietação e portanto em guerra consigo mesmo e com o mundo.

O Esquema de Deus é o plano universal da evolução, do qual vemos apenas alguns pedaços acessíveis aos nossos sentidos. Mas a nossa mente, que é o cérebro da alma, pode perceber além dos sentidos. Por isso, nas experiências parapsicológicas já se comprovou, cientificamente, que podemos ver com nitidez o passado e o futuro, confirmando-se, assim, as pesquisas espíritas de mais de um século. Os que aprendem a se libertar do relativo para vislumbrar a duração (que é a eternidade em conceito dinâmico) aprendem a superar a inquietação e encontrar a paz.

Pela evolução, nossa mente se abre, como uma flor que desabrocha, para a percepção progressiva do absoluto que nos proporciona a paz. Não a paz do mundo, como ensinou Jesus, mas a paz do espírito. A percepção individual dessa paz se transforma aos poucos, em conquista coletiva, na proporção em que a Humanidade se eleva e o mundo se transforma. Assim, pela evolução dos homens e do mundo, a paz do espírito, que parece individual, se revelará coletiva e universal.

É importante sempre nos lembrarmos de que nada e ninguém nos poderá arredar do Esquema de Deus

 

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