
Em entrevista ao portal Terra (Terra Espiritual), Nubor Facure abordou assuntos importantes sobre a ciência espírita, como o limite entre o campo da medicina e o espiritual. “Ainda deve haver um custo moral muito alto para que o cientista irredutível possa abdicar da sua presunção arrogante e se entregar às verdades que a espiritualidade nos revela”, afirmou o neurologista espírita.
Como é possível distinguir o ponto onde termina o campo da medicina e começa o campo espiritual?
Vejo essa distinção como desnecessária, prejudicial e arbitrária. Nunca fez parte das minhas preocupações e transito por esses dois domínios, sintonizado em total harmonia. Procuro respeitar, sempre, o ponto de vista religioso de todos pacientes. Entretanto, aprendi, com minha experiência pessoal, que, haverá sempre lugar para uma palavra bem colocada, chamando a atenção dos pacientes para considerarem a espiritualidade. É fácil falarmos sobre a existência da alma, da imortalidade, das Leis divinas de ação e reação, da força da oração, da incorruptível justiça de Deus, da presença de Espíritos que nos acompanham, atraídos por nossa disposição de fazer o bem e o prejuízo de contrariar os princípios de amor ao próximo que de uma forma ou de outra nos farão colher suas consequências.
O que falta para que a ciência passe a aceitar as manifestações espirituais?
O problema não é da Ciência, mas, dos homens que pensam representá-la. Já temos comprovações mais do que suficientes. A argumentação científica que comprova a existência da Alma e suas manifestações fora do cérebro é rotineira em qualquer centro espírita sério.Os casos de reencarnação comprovados e descritos na literatura científica, já se contam aos milhares. As mensagens dos espíritos desencarnados nos trazem detalhes pessoais irrefutáveis. Os fenômenos de expressão física podem ser testemunhados a luz do dia e as “cirurgias espirituais” realizadas em nosso pais desafiam qualquer incrédulo.
Penso, que ainda deve haver um custo moral muito alto, para que o cientista irredutível, possa abdicar da sua presunção arrogante e se entregar às verdades que a espiritualidade nos revela. A mudança de paradigma foi quase sempre traumática na história da humanidade. Muitos foram condenados por admitirem o heliocentrismo, a explosão das estrelas, as órbitas elípticas dos astros, a origem comum para homens e animais inferiores, a evolução das espécies entre tantas outras afirmações que exigiram mudanças de interpretação do mundo. Admitir a espiritualidade exige, porém, um esforço adicional porque tende a incluir a própria mudança interior de cada um de nós. Parece que, mesmo que inconscientemente, nem todos querem assumir esse custo. Ele exige desprendimento que a maioria não que renunciar.
Tanto essa quanto a questão anterior merecem um adendo. Já estão em funcionamento alguns movimentos de nível universitário incluindo a espiritualidade como perspectiva de estudo no meio científico. Essas luzes já se acenderam, ainda que tenuamente, com mais força no exterior do que em nossos pais, que se intitula espiritualista por natureza, onde só recentemente começaram a se esboçar os primeiros passos.
Como o senhor vê o futuro da relação medicina e espiritualidade?
Em diversos centros universitários o caminho já está aberto. Aguardamos progressos importantes nessa associação. Precisamos, porém, insistir que o paradigma espírita tem muito mais a ensinar à Medicina do que qualquer outra posição religiosa ou não e o médico espírita não deve abrir mão do que já conhece. Devemos tomar muito cuidado para, à pretexto de aceitar e divulgar a espiritualidade no meio universitário, não sermos coniventes com distorções doutrinárias inaceitáveis. Adiar o compromisso com a pureza doutrinária já foi motivo de muito sofrimento na história do nosso passado espiritual.
Fonte: Entrevista completa e outros artigos em http://nuborfacure.blogspot.com/
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