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| Ainda além do coração |
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| Escrito por Ricardo Alves da Silva |
| Ter, 07 de Fevereiro de 2012 08:02 |
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O texto acima foi extraído do livro O sonho do celta, de Mario Vargas Llosa (Ed. Objetiva), que conta a história de Roger Casement, irlandês a serviço do Império Britânico no início do século 20.
Após presenciar e relatar as atrocidades cometidas pelos povos ditos civilizados no processo de colonização da África, em particular no Congo Belga, e também durante exploração econômica de seringais em região inóspita do Peru, tem despertado em si mesmo o nobre sentimento de liberdade e respeito a todos os povos, fazendo que se voltasse contra o governo que representava, uma vez que seu próprio país estava sob o domínio estrangeiro. Em conversa com um norte-americano que compartilha seus sentimentos de consideração aos povos oprimidos e revolta contra o domínio econômico, cultural e militar dos estados opressores, percebe que as mudanças tão esperadas com seu trabalho de denúncia dos abusos não surgirão com a urgência esperada. O que o autor peruano, prêmio Nobel de Literatura de 2010, registra na fala de seu personagem, a doutrina espírita indica estar no espírito imortal: a origem dos vícios e virtudes experienciados nas suas mais diversas encarnações. Sob o título “Progressão dos espíritos”, Allan Kardec organizou as questões 114 a 127 em O livro dos espíritos que nos ajudam a compreender o processo evolutivo das individualidades criadas por Deus simples e ignorantes, mostrando que onde vemos maldade, o que existe é ignorância; que o progresso é conquista individual do próprio ser que se melhora; que não tem quem permaneça na ignorância eternamente, sendo a perfeição o destino de todos; que conquistas realizadas não se perdem, podendo permanecer estacionário, mas não para sempre; entre outros detalhes que merecem meditação permanente daqueles que efetivamente buscam entender as distorções existentes na sociedade. Se o herói da saga comentada conhecesse os conceitos espíritas na época dos seus esforços de denúncia de tantos males presenciados, talvez não tivesse movido tão fortemente em si a força para a justiça, num despertamento em seu íntimo, que transformou um trabalho efetivo em benefício dos povos explorados, com complicadas consequências imediatas para si mesmo. A compreensão da verdadeira origem dos males humanos, ainda além do coração, diferente do imaginado por seu companheiro de viagem, não serve para atenuar nossas preocupações e capacidade de ação na busca de uma sociedade mais justa e fraterna, mas sim para nos orientar quanto à nossa própria realidade e que a conquista de mudanças efetivas é um trabalho a ser realizado numa percepção de tempo mais amplo, que começa hoje e cuja conclusão não está em nossas mãos. Quando animados por sonhos de melhorias pessoais e coletivas, não desperdicemos tempo: o trabalho começa agora; não percamos de vista, entretanto, que o tempo, sob as bênçãos de Deus, determinará a época do término do serviço.
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Um enredo que vai emocionar
pelas tramas e bastidores do
destino de uma luta travada
entre paixões e traições,
envolvendo os mistérios
do amor.
J. W. Rochester (espírito)
Arandi Gomes Teixeira



















