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A sutileza de uma proposta de mudanças

O nome da médium que auxiliara Kardec no trabalho da codificação passou a ser ventilado no meio espírita desde que em Belo Horizonte o médium Wanderley de Oliveira  deu início a publicações de trabalhos atribuídos a ela, juntamente a outros espíritos.

Dez anos passados, mais de uma dezena as obras publicadas, tais publicações vêm chamando atenção do público espírita, pela profundidade com que trata sobre a harmonia interior, e a harmonização na seara espírita.

A edição Correio Fraterno 421 (maio junho 2008) publicou entrevista completa com o  médium Wanderley de Oliveira.

Quando você começou o trabalho de psicografia?

Wanderley de Oliveira: Minha trajetória, especialmente com a mediunidade, começou  em 1978. Participei de reuniões, estudos, preparação, esclarecimento e somente depois de 22 anos de exercício intenso, com base em Kardec, Jesus, Emmanuel, foi que os espíritos me chamaram para o que eu ainda não havia feito: a psicografia. Esses 22 anos foram de preparo, de contato comigo mesmo. Tive bom antecedente, incluindo crises, lutas, testemunhos inerentes a maior parte os espíritas. E não desisti. Fui atrás, primeiro, de minhas repostas - e continuo indo  –, o que me deu condição mental e emocional para que Ermance Dufaux e outros espíritos pudessem trabalhar.

Qual é a proposta de Ermance Dufaux, espírito-chave deste trabalho de você vem psicografando e que tem chamado intensamente a atenção do público espírita?

Wanderley de Oliveira: A proposta de Ermance, na verdade, é a proposta de Bezerra de Menezes, que consta na mensagem Atitude de Amor [inserida no livro A Seara Bendita], que aborda a necessidade da humanização da seara espírita. A doutrina  é maravilhosa, no entanto, nossa convivência ainda é um tanto institucional,  com os valores humanos nem sempre fazendo parte desse processo. Humanizar significa ter um pouco mais de afeto entre nós, construir relações mais autênticas e saber superar os nossos conflitos, porque eles existem. E o que acontece? Vários grupos sendo criados a partir de conflitos não sanados, permanecendo-se assim. Um dos fatores responsáveis por isso é a  própria inabilidade em lidarmos com nosso mundo íntimo, com nossas  mágoas,  e o movimento espírita sofre as conseqüências, vendo formar-se ilhas que não se comunicam, com raras exceções, situação totalmente incoerente com a proposta da doutrina, que é a  fraternidade.

Por que reforma íntima sem martírio?

Wanderley de Oliveira: A proposta é que a gente continue exercitando o projeto de melhoria espiritual que a doutrina traz, mas sem as dores adicionais, por falta de sabermos lidar com nosso mundo íntimo. Ermance diz que nós não crescemos sem dores, mas uma são as do crescimento e a outra,  a do  martírio, da serevidade com a qual nós tratamos o nosso mundo interior, esquecendo que somos humanos, que precisamos fazer nosso progresso sem querer dar saltos e libertos  das questões provacionais terrenas de hora para outra.

Existem outros trabalhos ditados por espíritos nesta mesma linha: Joanna de Ângelis, Rammed. Qual o diferencial deste trabalho que se realiza por seu intermédio?

O trabalho está muito em sintonia com todos esses benfeitores. Eu acredito mesmo que é uma mesma equipe que trabalha com o objetivo de nos levar a um tempo novo. A humanização já era tema de Joanna de Ângelis antes mesmo que Ermance viesse trazer suas mensagens. É tema também de outras áreas religiosas, empresariais. É uma adaptação prática e realista para as nossas necessidades.

Este trabalho aponta questões delicadas do movimento espírita atual, citando  a dificuldade de se confrontar opiniões e o institucionalismo. Como o movimento espírita tem enxergado essas afirmações?

Da melhor forma possível. O nível de aceitação é de impressionar. Evidente que existe a resistência dos que não conseguem entender a proposta. Mas é infinitamente  superior o número dos que não só enxergam , mas vêm se beneficiando. Acho que essas resistências surgem porque as pessoas, de uma maneira geral, se debatem com lutas interiores, e é difícil se olhar e se enxergar, numa ação necessária, quando são enfocados esses temas.

 

Quem é Ermance Dufaux


Ermance De La Jonchére Dufaux nasceu em 1841, na cidade francesa Fontainebleau. Filha de rico produtor  de vinho e trigo, com apenas 12 anos foi diagnosticada portadora de distúrbios nervosos, que faziam vítimas na América, fazendo-as entrar numa espécie de transe histérico e a receber hipotéticas mensagens do Além.  Embora fosse católico, o senhor Dufaux preferiu acreditar que sua filha não era doente ou possessa, mas apenas uma intermediária entre os vivos e os mortos.  
Segundo o historiador Canuto Abreu, a família Dufaux conheceu Allan Kardec na noite de 18 de abril de 1857. O Codificador  trabalhos do Mestre.  Os laços entre os dois se estreitaram e ela se tornou a principal médium das reuniões domésticas do professor Rivail. Site www.ermance.com.br

 

Leia mais na edição 421 ( maio / junho de 2008) da edição impressa do jornal Correio Fraterno).

 

 

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