• Narrow screen resolution
  • Wide screen resolution
  • Auto width resolution
Área Assinante
Home
Crepúsculo: uma ponte entre dois mundos PDF Imprimir E-mail
Compartilhar

George De Marco

Isabella Swan é uma adolescente americana tão comum quantas tantas outras espalhadas pelo mundo. E nem mesmo o fato de ela estar apaixonada pelo também adolescente Edward Cullen faz diferença: Todas as demais também estão. Não importa que Edward seja um vampiro. Na verdade, é exatamente por isso que todas se apaixonam por ele. Edward e Bella protagonizam a série de livros da autora estadunidense Stephenie Meyer que já se tornou febre nos Estados Unidos, no Brasil e no mundo, com mais de 50 milhões de cópias vendidas de seus quatro volumes: Crepúsculo, Lua Nova, Eclipse e Amanhecer. Edward e sua família são vampiros ‘do bem’: têm aparência humana, sem caninos afiados nem capas soturnas. Não dormem em caixões e, principalmente, não se alimentam de sangue humano! Então, o que determina a febre em torno desta série? Seria apenas uma nova onda adolescente?

Os livros são direcionados para os jovens, daí seus personagens serem jovens comuns que estudam em escolas comuns e vestem roupas que todo jovem usa.

O psicólogo Laurence Steinberg, da Temple University, um dos profissionais mais conceituados dos Estados Unidos, afirma que os adolescentes se movem mais facilmente entre o específico e o abstrato, geram sistematicamente possibilidades alternativas e explicações e comparam o que realmente observam ao que é possível; que os adolescentes tornam-se mais capazes de pensar sobre coisas abstratas – o que não pode ser experimentado diretamente através dos sentidos – e que eles apresentam mais probabilidade do que as crianças para ver as coisas como relativas, ao invés de absolutas. Talvez isto explique a facilidade com que os jovens desenvolvam suas paixões e, até mesmo, seus vícios.

Mas isto não é de hoje. As marcas registradas da adolescência são, justamente, a inquietação, a inconformidade e a aura sonhadora. Segundo Jean Piaget, também psicólogo, no início da adolescência ocorre uma fase de interiorização, e ele parece antissocial. Condena, despreza e quer mudar a sociedade. Depois surge o predomínio dos grupos, que se constituem como sociedades de discussão, quando o mundo é reconstruído em comum, com discursos que combatem o mundo real. A adaptação à sociedade se dará à medida que o adolescente de reformador transforma-se em realizador, reconciliando o pensamento formal com a realidade das coisas. Durante este período surge a capacidade de autonomia plena, quando o adolescente compreende relações de reciprocidade, coordenação de valores, cooperação. Já há uma moral individual, onde são definidos seus próprios valores. Piaget explica que ocorrem diferenças no ritmo do desenvolvimento entre as pessoas e as atribui às variações na qualidade e frequência da estimulação intelectual recebida dos adultos durante a infância e adolescência.

Neste ponto temos em comum a exortação de Emmanuel, no livro Trilha de Luz, de que ‘quando se repetem por todos os recantos os impositivos da revisão do tratamento em favor da juventude, é razoável que se aplique o mesmo critério para a madureza. Nem conceituação de irresponsabilidade para os jovens. Nem alegação de inutilidade para os adultos. (...) Não vemos qualquer conflito mais grave agora que noutras épocas, entre os mais moços e os menos moços. O que existe é o anseio da juventude no sentido de se edificar segundo a sua própria vocação, tanto quanto anotamos na madureza a necessidade de aproveitar, com mais segurança e com espírito mais amplo de reconhecimento a Deus (...)’.

A saga de ‘Crepúsculo’ fala de um grande amor, mas traz para o cotidiano um universo fantástico e a curiosidade que os vampiros despertam desde os tempos do Conde Drácula. Assim, a obra de Stephenie Meyer ultrapassa os muros adolescentes e conquista também os adultos, em mais uma demonstração de que a magia, o encanto, o sonho das grandes paixões, dos heróis e das mocinhas estão sempre presentes em nossas vidas e servem como ponte entre dois mundos que não precisam ser antagônicos. Pelo contrário, como diria o já citado Emmanuel: Tão livre e robusta é a mocidade para zelar, disciplinadamente, pelos seus próprios interesses, quanto robusta e livre é a madureza para defender a sua própria felicidade em qualquer lugar, tempo, circunstância e condição, desde que se mostre agindo ponderadamente.

Texto publicado na edição 425 ( jan/fev de 2009) do jornal Correio Fraterno.

 

Correio nas redes sociais


cute-twitter-logo issuu-logo

logo-youtube

orkut-logo

Newsletter

Cadastre seu e-mail e receba nossas notícias