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Livro de Rochester, com tradução de Herminio Miranda, ganha nova edição PDF Imprimir E-mail
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Quem conhece a qualidade do material produzido pelo escritor Herminio C. Miranda sabe a satisfação que proporciona a chegada de novas edições de suas obras.

Estudioso do Espiritismo e respeitado pelos quase 40 livros publicados, Herminio conta que titubeou quando, na condição de grande admirador de Rochester, recebeu, há alguns anos, um volume em edição francesa do romance A feira dos casamentos. Um amigo enviara-lhe sugerindo que ele a traduzisse. A história se passava na Rússia Imperial, nas altas rodas sociais, com príncipes e barões se movimentando, numa sociedade sofisticada, corrupta e imoral, 40 anos antes da Revolução que implantou o regime comunista.

Herminio sabia da enorme responsabilidade do empreendimento.

Porém, uma semana depois, a decisão estava tomada: não apenas lera a obra; já havia traduzido dezenas de páginas. E concluiu: "Ninguém resiste ao Rochester. Ele é um mestre consumado na arte de contar histórias."

Agora com projeto gráfico totalmente remodelado, o romance volta a ser publicado pela editora Correio Fraterno.

Em entrevista ao jornal Correio Fraterno, Herminio Miranda , Hermínio responde:

O romance A Feira dos casamentos vai para sua 11.ª edição. A que se deve este sucesso?

HCM – Os livros de Rochester são sempre bem sucedidos. Ele é um verdadeiro mago da palavra tanto quanto hábil na arquitetura de seus enredos. Às vezes, penso até que ele tenha sido uma espécie de inventor do suspense ou, no mínimo, um de seus precursores. Suas histórias são densas e envolventes. Seus patifes são tão refinados e convincentes como os personagens bondosos, sérios e responsáveis. Ele joga muito bem com uns e outros, como os dramáticos contrastes do chiaro scuro na pintura. Ele prefere deixar aos seus leitores e leitoras a decisão entre o bem e o mal. A feira dos casamentos é obra que expõe isso muito explicitamente ao mostrar o triunfo moral dos bons e a ruína dos transviados.

Em sua opinião, os personagens da obra existiram mesmo, ou foram inventados apenas com o propósito de se dar um recado?

HCM – Parece-me que ele mistura um tanto de fantasia nos seus escritos com personalidades e fatos reais. Temos disso um exemplo em Romance de uma rainha – aliás, um de meus prediletos na bibliografia de Rochester, no qual personagens historicamente conhecidos misturam-se a alguns tipos aparentemente fictícios, quando ele precisa de dramatizar mais claramente determinados episódios, sem recorrer a longas e cansativas descrições. Como se sabe, seus livros são muito mais dialogados do que descritivos. Apesar de ter considerável poder de descrever móveis, decorações e cenários, ele não abusa de tais recursos. Quanto aos personagens, creio que ele às vezes os cria ou carrega nas cores de tal modo que os coitados ficam mais para o lado da caricatura. Em A feira dos casamentos encontramos alguns desses, mas nenhum tão caprichado como o caricato Pfauenberg, aparentemente construído a partir de um modelo real conhecido do autor. Ademais, nesse livro, Rochester está mais interessado em evidenciar a degradação de uma época, do que a história de cada personagem.

Já em Romance de uma rainha, ele ocupou-se mais em preencher os claros que a História - com maiúscula - deixou de contar deliberadamente ou não. Hatasu, por exemplo, existiu de fato e sua presença no livro explica e complementa plausivelmente muito do que os historiadores profissionais não tomaram conhecimento. Acima disso, porém, o autor consegue trabalhar muito bem com os mistérios e magias do lendário Egito dos faraós. E, no caso, da faraona, irmã do grande Tutmés III, que, aliás, a sucedeu no trono. Para o autor espiritual, o mago Tadar voltaria mais tarde como Richard Wagner, o mago da ópera mística, lendária e misteriosa. O príncipe Horenseb, teria sido junto de Wagner, o infeliz rei Ludwig II da Baviera, admirador incondicional do grande compositor e até seu mecenas. Isso faz sentido e nos leva a perceber melhor certos enigmas não solucionados da historiografia. Pelo que você vê, sou grande admirador do antigo John Wilmot, conde de Rochester. Não quero dizer com isso, que todos os livros de sua ampla herança cultural sejam de meu agrado. Ou que eu não discorde de certas posturas do autor.

Texto publicado na edição 427 maio/junho de 2009 do jornal Correio Fraterno

 

 

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