
Eliana Haddad Mais de cem roteiros foram enviados por estudantes da área de jornalismo, TV e cinema a Mundo Maior Filmes, produtora ligada à Fundação Espírita André Luiz, que deu a largada para realizar o longa-metragem O Filme dos Espíritos, a ser lançado em outubro de 2010. Além de estimular a produção audiovisual e dar oportunidade a estudantes e jovens diretores em início de carreira, o concurso teve como tema questões sociais relevantes sob a ótica espiritualista, baseada nos cinco capítulos de O Livro dos Espíritos. Paulistano, com mais de 20 anos de experiência, passados nas TVs Globo, Cultura e SBT, o jornalista e radialista André Marouço, idealizador e coordenador geral da Mundo Maior Filmes, revela detalhes desse projeto e fala também sobre a modernização na comunicação espírita.
André, a produção cinematográfica espírita é algo novo. Que projeto é esse? O Projeto Mundo Maior de Cinema nasceu da uma experiência, fazendo a adaptação em quatro minutos de um dos capítulos do livro Nosso Lar, de André Luiz, "Nas zonas inferiores", com o ator Enio Gonçalves. Foi um sucesso, dirigido pelo primeiro diretor da novela A Viagem, que trabalhou aqui conosco, o Edson Braga. Ele desencarnou no início de 2008 e até hoje nos acompanha da espiritualidade. Por ser um homem de teatro e novela durante muito tempo na TV Tupi, ele insistia que precisávamos ter uma linha de dramaturgia. Só não sabíamos que ele mesmo seria seu idealizador na Espiritualidade. Também a vinda do Eduardo Dubal do sul do país, já no início do programa Boa Nova na TV contribuiu bastante. Vários fatores demonstram que já estava tudo pronto para que esse projeto acontecesse Uma obra básica do Espiritismo no cinema. Isso é inédito? Que eu saiba,sim e há algo curioso. Quando Kardec montou O Livro dos Espíritos, entrevistou médiuns, da França e de outros locais, sobre questões existenciais e filosóficas. O Filme dos Espíritos será feito da mesma maneira, através da reunião de "médiuns" – representados por esses diversos roteiristas – pensando individualmente cada um daqueles textos básicos. Grande parte deles não é espírita. Eles tiveram contato com a obra de Kardec, lendo trechos no site e deram conta de fazer um roteiro. Essa receita deu certo? Achamos no início que seria mais complicado, e que teríamos problemas com transgressões doutrinárias. Mas foi tranquilo. Sem contar com a equipe atenta para dar um bom suporte, pelo conhecimento da Doutrina Espírita, além do plano espiritual a nos acompanhar de perto... Os curtas abordam a essência, a mensagem principal e acredito que no fundo os fundamentos espíritas estão dentro de nós, porque isso é da Lei. Basta que se deixe o material para o pessoal estudar e recordar. Sua ênfase à presença da equipe espiritual no projeto é marcante. Temos notícias de espíritos ligados a esse ramo de atividade trabalhando firmemente conosco, dentre os quais meu pai (Luis Cesar Marouço ex-profissional da TV Tupi, Globo, SBT, que trabalhou mais de 30 anos no meio). Outro que nos ajuda é o Vanucci [Augusto César Vanucci, ex-diretor da Globo, que já era espírita ao desencarnar em 1992]. Já tivemos notícias de que o jornalista desencarnado Assis Chateaubriand é quem acompanha as atividades da Fundação Espírita André Luiz. Não dá para levar adiante um trabalho desse nível de responsabilidade sem apoio superior. E não se faz cinema ou TV com amadores. É preciso que se tenha o conhecimento técnico e artístico para que não se desperdice tempo, equipamento e recursos. Em sua opinião, quem é o espírita hoje? Qual o público que vocês esperam que assista a O Filme dos Espíritos? Para mim é espírita é todo aquele que tem boas obras e se esforça para domar suas más tendências. E acho que muitos deles talvez nem saibam que o sejam. E isso nos faz lembrar Kardec. Ele não desejava que o espiritismo fosse a religião do futuro, mas o futuro das religiões. (...) Acho que vivemos um momento de transição dentro do Espiritismo. Já fincamos uma bandeira extraordinária e bela, através da assistência social, da evangelização, da educação de mentes, mas ainda não conseguimos romper os limites das casas espíritas, levando o Espiritismo de fato como um consolador prometido. A entrevista completa está publicada a edição 430 do jornal Correio Fraterno. Cine Bombril : os melhores em cada categoria, com a presença de artistas renomados , dentre os quais Nelson Xavier, Etty Fraser, Ana Rosa, Enio Gonçalves, Nicete Bruno e Othon Bastos. |