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Como jovens se organizam e inovam na ação para o bem PDF Imprimir E-mail
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 Um projeto que estimulasse os estudantes do alto de Goiás a pensar no futuro. Foi o que levou um grupo de jovens de São Paulo a se organizar, trabalhar e convidar outras pessoas a se doar

A paisagem é inspiradora!

Remete qualquer ser ao Criador.

Eleva a nossa sintonia ao mais alto, principalmente se somada à informação de que a poucos quilômetros, há 40 anos, um grupo de idealistas fundava a Cidade da Fraternidade para oferecer assistência, em regime de lares-família, a crianças e jovens órfãos da região. Um projeto bastante inovador pra a época e que até hoje cumpre com sua nobre função. E inovação é o que não tem faltado no projeto, dessa vez idealizado por jovens de São Paulo, para atender a necessidade de incentivar os estudantes que lá vivem a valorizarem a oportunidade do estudo, como forma de crescimento pessoal, profissional e espiritual. Muitos eles acabam deixando a escola, pela visão restrita das oportunidades que a vida pode oferecer, perdendo as chances e as condições de uma vida melhor.

Criar condições para que eles ampliem a visão de futuro foi o que levou um grupo de amigos da mocidade espírita a estruturarem mecanismos de colocar esses jovens em contato com outras realidades. 

 

Substituir a personalidade pela fusão dos seres, extinguir as misérias sociais, ampliar o amor aos irmãos em sofrimento. Essa sempre foi a mola que impulsionou a assistência social do movimento espírita, principalmente depois da década de 40, quando fora publicado Nosso Lar, o primeiro livro da série André Luiz, trazendo novo modelo de assistência, baseado na promoção humana. Foi nessa época que muitas entidades filantrópicas tiveram origem no Brasil.

Lares de crianças, abrigos para idosos, distribuição de sopas e sacolas de Natal são algumas das realizações que ao longo dos anos tomaram parte da rotina de muitos espíritas de todas as idades. Até hoje tem sido o beabá no quesito aprender a se doar.

Essa parece que foi a lição apreendida por um grupo de jovens que se conheceram na mocidade de um grupo espírita, que desde muito novos se ingressaram na caravana que anualmente visita à Cidade da Fraternidade, há 230 km de Brasília. São convidados a participar do encontro todos as casas espíritas filiadas à Oscal – Organização Social Espírita André Luiz, órgão gestor do entidade. Desde quando foi instituída, em 1963, a Cidade da Fraternidade não só oferece assistência a crianças e jovens em regime de núcleos familiares, como mantém atividades de subsistência: com horta, padaria, pequenos negócios, movimentando a comunidade local.

Uma das realizações foi a criação, juntamente com o Estado de Goiás e a prefeitura da cidade, Alto Paraíso, o Educandário Humberto de Campos, que embora conte com uma das maiores bibliotecas da região e professores comprometidos com o sucesso da tarefa, vive hoje a realidade da evasão escolar.

A frágil condição econômica da família e a falta de perspectiva de um futuro diferente, na visão dos alunos, fez com que o Grupo de Amigos de São Paulo,se organizasse para encontrar uma forma para reverter esse quadro. Os dez integrantes da equipe passaram a elaborar e enviar atividades recreativas e pedagógicas para utilização em salas de aulas, incluindo a troca de correspondência entre o Grupo e os alunos.

Dentre todos os projetos já realizados, o que causou maior impacto, tanto aos estudantes como aos realizadores, foi a viagem de formatura, no início do ano, para os alunos do ensino médio e os de melhor desempenho das turmas de 5a e 7a séries, envolvendo cerca de 12 alunos.

Para a implementação da idéia, o Grupo de Amigos não se restringiu a levantar fundos. Convidou os doadores a contribuir com suas próprias habilidades. Amigos cabeleireiros doaram uma manhã de embelezamento, sócios de clube asseguraram o bate-bola matinal. As refeições e os alojamentos foram garantidos por amigos e familiares do grupo, caracterizando uma ação de assistência personalizada, que proporciona acima de tudo a auto-estima e a promoção humana.

Longe de ser um mero passeio, eventos como esse proporcionam o acesso a informações que podem ajudar estes jovens a conceber outra visão de mundo. "Tivemos a preocupação de mostrar não apenas o lado imponente e mágico de São Paulo, mas também os problemas sociais que a cidade enfrenta." , comenta Lílian Pellacani, integrante do Grupo. 

Cultura e lazer caminharam juntos no decorrer dos x dias de programação, incluindo passeio no Play Center e ida ao cinema, lugar onde a maioria nunca havia estado, como também nunca haviam visto o mar. Foi por isso que o passeio até a praia causou tantas emoções! "Eles queriam saber se a água do mar era realmente salgada! Muitos não resistiram: pularam com roupa e tudo! Outros levaram um punhado de areia como recordação" - comenta Celso Rodrigues, integrante do Grupo.

Passear pelo centro de São Paulo, fazer pequenas compras – principalmente para os irmãos que ficaram – foi questão de honra para os jovens!

Entre observações silenciosas e pequenos comentários, a visita ao Museu Paulista ( Museu do Ipiranga) despertou o interesse da aluna Tamires dos Santos para o significado da história que, deslumbrada com o que vira exclamou: Isso é mesmo daquela época?

Outros interesses foram despertados no grupo, como o de Diego Pereira, pelo alistamento nas Forças Armadas, ao ver a apresentação da Esquadrilha da Fumaça.

Andar de metrô, enfrentar a escada-rolante, conhecer o bilhete magnético e, por fim, ter a certeza de que pode haver construções no subsolo, que o que há em cima não desmorona, foi tão emocionante quanto visitar, mesmo que vazio, o Estádio do Morumbi.

Não importa! os convidados ao passeio entenderam que, assim como viram no espetáculo O Mágico de Oz, existem realidades muito diferentes das que vivemos hoje, que mais parecem fantasias. Enxergá-las e acreditar que elas podem se tornar realidade depende de cada um de nós.

"Acredito que mostrar, principalmente aos jovens do interior de Goiás, que o mundo não se restringe ao hectare de terra onde vivem e que o ser humano é capaz de realizar outros milagre é a melhor forma de sermos solidários com o nosso próximo"- avalia Alice Yabiku, diretora do Educandário Humberto de Campos.

Enquanto o Grupo planeja a viagem do próximo ano e busca outras parcerias, os novos formados, mas do que nunca, aguardam, ansiosos por sua realização. "Queremos cada vez mais aprimorar o projeto, sem perder de vista o calor humano que conseguimos através da participação ativa dos colaboradores"- avalia Celso Rodrigues, integrante do Grupo. Contato com o grupo: grupode Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

 

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