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Desastres e resgates coletivos: sinal dos tempos ou de futuro promissor? PDF Imprimir E-mail
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Em um momento como este, em que todas as atenções estão voltadas para o acidente com o Airbus da TAM, nossa atenção fica mais desperta para os questionamentos que envolvem a Justiça (ou para alguns, a injustiça) Divina

O Espiritismo, como doutrina libertadora, progressista e evolutiva, e por isso mesmo considerada consoladora, ajuda-nos a entender o porquê dos acontecimentos do dia-a-dia, inclusive dos mais trágicos. 

Qual a finalidade desses acidentes que causam mortes coletivas? Como a Justiça Divina pode ser percebida nessas situações? Por que algumas pessoas escapam?

Naturalmente, as respostas exigem reflexão aprofundada com base em princípios fundamentais do Espiritismo, como a multiplicidade das encarnações e a anterioridade do Espírito. Esses pontos somam-se ao fato de que nós, espíritos em processo evolutivo, temos um passado de descumprimento da lei divina que precisa ter seu rumo corrigido, não apenas para equacionar nossos problemas de consciência, mas também para nos harmonizar com nossos semelhantes, afetados pelas nossas ações de desvirtuamento da Lei.

 

Fatalidade como causa?

Fatalidade, destino, azar são palavras sempre lembradas em situações como essa. Mas que conceitos estão por trás dessas palavras? Em O Livro dos Espíritos, as questões de 851 a 867 destacam que "a fatalidade só existe no tocante à escolha feita pelo Espírito, ao se encarnar, de sofrer esta ou aquela prova; ao escolhê-la ele traça para si mesmo uma espécie de destino, que é a própria conseqüência da posição em que se encontra" (LE 851).

 

Mais à frente (LE 853), está dito que "fatal, no verdadeiro sentido da palavra, só o instante da morte. Chegado esse momento, de uma forma ou de outra, a ele não podeis furtar-vos". A questão seguinte (LE 853a) melhor explica esse ponto, frisando que quando é chegado o momento de retorno para o Plano Espiritual, nada "te livrará" e freqüentemente o Espírito também sabe o gênero de morte por que partirá daqui, "pois isso lhe foi revelado quando fez a escolha desta ou daquela existência". Não esquecer, jamais, que "somente os acontecimentos importantes e capazes de influir na tua evolução moral são previstos por Deus, porque são úteis à tua purificação e à tua instrução" (LE 859a).

 

Como vemos, a fatalidade só existe como algo temporário frente à nossa condição de imortais com a finalidade de realinhamento de rumo. No entanto, essa situação não é engessada. Graças à Lei de Ação e Reação e ao Livre-Arbítrio, o homem pode evitar acontecimentos que deveriam realizar-se, como também permitir outros que não estavam previstos (LE 860).

 

Fatalidade, destino, azar são palavras que não combinam com a Doutrina Espírita, da mesma forma que a "sorte" daqueles que desejavam pegar o avião e não conseguiram; dos que estavam à porta do prédio atingido pela aeronave e não sofreram nada além do susto; e tantos outros.

 

 

Impulsionar o progresso: a meta

O resgate de nossas ações contrárias à Lei Divina, ao Bem e ao Amor pode ocorrer de várias formas, inclusive coletivamente. O objetivo, segundo o LE 737, é "fazê-lo avançar mais depressa" e as calamidades "são freqüentemente necessárias para fazerem com que as coisas cheguem mais prontamente a uma ordem melhor, realizando-se em alguns anos o que necessitaria de muitos séculos". Além disso (LE 740), "são provas que proporcionam ao homem a ocasião de exercitar a inteligência, de mostrar sua paciência e sua resignação ante a vontade de Deus, ao mesmo tempo em que lhe permitem desenvolver os sentimentos de abnegação, de desinteresse próprio e de amor ao próximo".

 

E assim, entendemos o sentimento de solidariedade que essas calamidades despertam, auxiliando todos a desenvolver o amor. O importante para os mais diretamente envolvidos, para que tenham o progresso devido, como está dito em O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo 14, item 9, é "não falir pela murmuração", pois "as grandes provas são quase sempre um indício de um fim de sofrimento e de aperfeiçoamento do Espírito, desde que sejam aceitas por amor a Deus".

 

Bibliografia: 

Allan Kardec. A Gênese, cap. 17 e 18. Ed. Lake.

 

Allan Kardec. O Evangelho segundo do Espiritismo, cap.14, item 9. Ed. Lake.

 

Allan Kardec. O Livro dos espíritos – questões 100 a 113; 737 a 741; 776 a 802; 851 a 867. Ed. Lake.

 

Katia Penteado

 Jornal Correio Fraterno n.416 – julho/ agosto de 2007, pág.16

 

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