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Home Nossas Seções Entrevista A força da voz e da imagem na história
A força da voz e da imagem na história PDF Imprimir E-mail
Escrito por Eliana Haddad   

oceano-vieira5O empresário e pesquisador espírita Oceano Vieira de Melo, idealizador da Versátil Home Vídeo, reúne em seu escritório, em São Paulo, vasto material de audiovisual que revela os bastidores da história do espiritismo, principalmente no Brasil. Através da empresa que administra, já lançou mais de trinta DVDs, filmes e documentários com temática espírita, como:  Minha vida na outra vida, Vida além da vida, Pinga-Fogo, Joelma, A vida de Eurípedes Barsanulfo e Chico Xavier em São Paulo.
Pessoalmente, ele se dedica a uma atividade específica em prol da memória do espiritismo. Do trabalho que realiza de recuperação e edição de fitas de áudio e vídeo, é possível resgatar a emoção da preservação da memória, através da gravação de vozes e imagens de médiuns e colaboradores do movimento espírita, que incluem Chico Xavier, Yvonne Pereira, Clóvis Tavares, Herminio Miranda, Deolindo Amorim e Herculano Pires, dentre tantos outros.


Apaixonado por cinema desde criança, Oceano fez de sua admiração pela arte e cultura um trabalho importante de resgate da nossa própria história e não perde uma oportunidade para pedir que lhe enviem qualquer material sobre a história do espiritismo. O material fará parte do acervo do Museu Espírita do Estado de São Paulo, agora pertencente à Federação Espírita Brasileira, que abrigará também o acervo da biblioteca do historiador e escritor Canuto Abreu e manuscritos originais da Codificação. Leia a entrevista concedida por Oceano ao Correio Fraterno. 

 

Você se diz autodidata. Como se envolveu com tantas frentes culturais, inclusive nesta de preservação da memória espírita?

Desde criança eu frequentava cinema. Morei em uma cidade muito pequena do interior de Alagoas, Carneiros, onde o divertimento era o rádio e o cinema, e acabei me envolvendo por divertimento. Sempre estive envolvido com imagem e som. A mesma coisa agora, ao pesquisar, estudar e editar filmes e áudios espíritas. É uma maneira de agradecer pelo que recebi da doutrina, que me educou como cidadão. Não tenho escolaridade nenhuma, mas leio muito, adoro cinema, política. Estou envolvido com o cinema, profissionalmente, através da distribuição de filmes pela Versátil, sob licença dos produtores nacionais e do exterior. Tudo isso me abre muito a cabeça. Meu objetivo é deixar para as futuras gerações registros desses homens extraordinários da doutrina, que deixaram palestras e depoimentos gravados, livros importantes, como Herculano Pires, Herminio Miranda, Leopoldo Machado, Clóvis Tavares, Eliseu Rigonatti e tantos outros.


Como você está conseguindo resgatar esse material?

As pessoas me mandam ou então eu localizo e peço. Hoje mesmo recebi uma boa quantidade de fitas de vídeo, de cinema, 8 e 16 mm, fitas-cassete dos anos 70 e carretéis de rolo dos anos 50 e 60. São fontes preciosas, que acabam me inspirando e dando origem aos inúmeros documentários.


Você nasceu em berço espírita?
Não. Comecei a me interessar pelo espiritismo quando vi o Chico no Pinga-Fogo em 1971. Eu tinha vinte anos. Mas naquela época não me envolvi com a doutrina, porque comecei a me desenvolver no campo profissional, a formar família e depois com o jornalismo dirigido ao mercado cinematográfico.


Você acredita que se não houver esse trabalho dos espíritas essa história vai se perder?
Sim. E as futuras gerações não vão nos perdoar. Porque vivemos no século de um Francisco Cândido Xavier, no mesmo século do cinema, do rádio, do som, seja nos discos em fitas das imagens digitais. Profissionalmente, estou envolvido com cinema, fui jornalista e editor de revista dessa área por 18 anos. Mas se eu não tivesse essa cultura espírita, talvez não fosse capaz de perceber e apreciar a literatura, a arte, a música clássica, a literatura, a filosofia. Esses conhecimentos que nos educam e engrandecem o espírito poderiam ficar para futuras encarnações. Isso só aconteceu quando comecei a ler os livros de Chico Xavier logo depois do Pinga-Fogo, mas só me engajei realmente no movimento espírita há exatamente dez anos quando das comemorações do bicentenário de nascimento de Allan Kardec.


A que você atribui esse seu envolvimento? Maturidade, alguma tarefa maior?
Não. Acho que foi por necessidade mesmo. Pelo fato de reconhecer que existiram pessoas maravilhosas que perceberam antes de mim o que eu percebi na década de 1970. Por exemplo, nunca estive com Herculano, e hoje adoro o Herculano, nunca estive com Herminio, e hoje adoro o Herminio, sei do valor que eles têm. Existem nomes como Carlos Imbassay, Deolindo Amorim, Leopoldo Machado, Anália Franco, Manoel Quintão, Bittencourt Sampaio que não podem ser esquecidos na história, porque não foram só intelectuais; tornaram-se filósofos que marcaram o nosso movimento espírita.


frase-oceanoDo que você precisa para continuar nesse trabalho?
Sempre peço para quem tiver áudio e vídeo, que encaminhe para nós! Nós restauramos e devolvemos o material original e outro digitalizado. Precisamos preservar o que foi gravado para as futuras gerações. Todo esse material vai ficar fazendo parte do Museu Espírita de São Paulo. Tudo é realizado com critérios jornalístico e da preservação. Tudo o que faço tem meu envolvimento emocional de amor a doutrina e a seus valorosos nomes.


Você acha que tem ainda muito material importante que está perdido?
Perdidíssimo. Material que as pessoas nem sabem do que se trata principalmente aquelas que não se engajaram no movimento espírita, filhos ou netos de espíritas que herdaram materiais e não sabem o que fazer com eles. Já descobri muitas coisas interessantes. Por exemplo, sobre o escritor e jornalista português Isidoro Duarte Santos, fundador de uma revista espírita em Portugal de 1939. Em minha opinião, ele é um dos grandes intelectuais do espiritismo e ninguém o conhece. Esse homem veio para o Brasil em 1955, gravou uma sessão mediúnica com Chico Xavier, onde o Emmanuel reúne vários espíritos, inclusive sua esposa desencarnada, dona Maria Duarte Santos, amigos e familiares que foram à sessão para cumprimentá-lo e incentivá-lo em seu trabalho de divulgação da doutrina espírita nos países do idioma português.


Qual a destinação de todo esse material?
Tudo vai ficar no Museu Espírita de São Paulo, fundado pelo casal Paulo e Elza Toledo, que passou recentemente sua administração para a Federação Espírita Brasileira, ficando o local como um espaço cultural da FEB em São Paulo. Depois da reforma, será aberto diariamente para o público e pesquisadores. Ele terá local para projeção de filmes espíritas, palestras, debates e reunirá importantes documentos, inclusive manuscritos de Allan Kardec pertencentes ao Instituto Canuto Abreu que ocupará dois prédios do Museu Espírita. Nos anos 40 e 50 Emmanuel já orientava Canuto, através do Chico, considerando o material original de Kardec, de Léon Denis e de Gabriel Delanne "um tesouro do nosso movimento espírita".


O que há nesse material de tão importante?
São documentos, centenas de correspondências de Allan Kardec, originais da Revista Espírita e da codificação. Canuto conseguiu esse material com a família de Pierre Gaitan Leymarie, que era quem cuidava das coisas do Codificador depois da sua desencarnação. Ele comprou quando os herdeiros de Leymarie se desfaziam de todo o material. Não perceberam o que tinham de extraordinário nas mãos. Canuto era um homem culto, que viajava sempre a trabalho pelo mundo e sempre permanecia longo tempo em Paris, o que possibilitou que ele como pesquisador percebesse esse tesouro histórico. Nesse tempo é que ele passa a escrever no jornal Unificação os textos que mais tarde foram reunidos por Paulo Toledo em O livro dos espíritos e sua tradição histórica e lendária. Em 18 de abril de 1957, na comemoração do centenário de O livro dos espíritos, no Ginásio do Pacaembu, em São Paulo, Canuto faz um longo discurso contando toda essa história. Temos essa gravação. Ela estará no museu.


Por que esse material é tão comentado? Há algo 'comprometedor'?
Não. O que há é muita coisa pessoal de Allan Kardec. Mas é muito emocionante. Mostra o quanto ele passou por dificuldades, traição dos amigos, o que enfrentou do clero, e da imprensa. Também sobre quando o Espírito de Verdade o orienta para que se ausentasse de Paris e fosse para um lugar mais tranquilo para organizar O evangelho segundo o espiritismo, e ele se isola numa cidade litorânea da França. Você vê todo o lado missionário e humano de Allan Kardec. Há lições maravilhosas em cartas sobre isso. Elas também explicam porque o Evangelho saiu primeiro com nome de Imitação do evangelho. Os espíritos o instruíram para colocar 'imitação' para protegê-lo, para não dizerem que o livro era um concorrente direto do Evangelho tradicional, porque com certeza a Igreja viria para cima com todo seu poderio.

 

Idolatria a médiuns,  a escritores, ao próprio Chico, para você, isso tudo não é um risco para o espiritismo?
Sem dúvida. Mas idolatria é uma coisa e preservação de memória é outra. Se nós espíritas, não preservarmos nossa cultura, nossos nomes, quem é que vai preservar?


Você acha que o espiritismo busca ainda um substituto para o Chico?
Não. E nem deve. Cada um faz o seu trabalho. Nós tivemos a sorte de viver no século dele. Temos que preservar esse legado, divulgá-lo, conhecê-lo e praticá-lo. Acho até que não virá outro médium como ele. Ele já deixou uma obra de inestimável valor. Para milênios. Você tem literatura, filosofia, ciência e religião. Todos os problemas da atualidade e do futuro dos povos são comentados na obra de Chico Xavier.


oceano-vieira3Estamos conseguindo atingir os jovens com a mensagem espírita?
Sim. E existe uma quantidade enorme de obras para que tomem contato com essa mensagem. Se o jovem ficar só na obra de Allan Kardec, ele já terá tudo. E o complemento da obra de Allan Kardec é a obra de Chico Xavier. Mesmo que os jovens não tomem conhecimento dessa obra agora, vão tomar no futuro. E vão levar um susto! E é até bom que ele não leia agora, porque tem tanta coisa nova aí para eles: internet, celular, TV a cabo, que podem passar batidos nesse conteúdo, achar que é coisa do passado, ver e não dar a menor importância. É preciso vir o amadurecimento do ser para perceber.


Há algum filme a ser lançado?
Estamos preparando documentários sobre Yvonne Pereira e Clóvis Tavares. No ano que vem é o seu centenário de nascimento. Ainda vamos fazer do Isidoro Duarte Santos e da sua esposa, dona Maria Gonçalves Duarte Santos. Pesquisar a doutrina espírita é fascinante. Pesquisando essas fitas antigas encontramos gravados momentos maravilhosos. Às vezes não dá nem um minuto, mas o conteúdo é fantástico. É trabalhoso, mas vale a pena.


Na vida comum talvez houvesse uma disputa natural pela posse de documentos importantes. E no meio espírita, você acha que isso também acontece? Ter essa documentação lhe dá poder?
Não. Absolutamente nenhum. E nem quero ter. Eu fico feliz pelo trabalho que estou realizando e isso já basta. Eu adoraria que tivesse mais pessoas para trabalharmos juntos. Tenho muitos projetos. Por exemplo, planos de fazer um departamento de jornalismo, para levar para a Rádio Web textos resgatados de escritores importantes. Isso é memória! É o que estamos fazendo agora com o Newton Boechat, Clóvis Tavares, dona Yvonne do Amaral Pereira, Canuto Abreu e muitos outros. Esse trabalho não pode parar. É a nossa história.


Publicado no jornal Correio Fraterno - edição 458 - julho/agosto 2014

 

 

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