Área restrita para assinante do CLUBE CORREIO FRATERNO.



  • Narrow screen resolution
  • Wide screen resolution
  • Auto width resolution
Assinante do CLUBE

Assinaturas

assine_correio

Enquete

Você assina algum jornal ou revista espíritas?
 

Saiu no Correio


selo correio 50

 

Espaço do Leitor


Saiba
aqui como publicar seus textos no Correio Fraterno

 

Livro de Visitas

 

livro-de-visitas

Passatempo

Confira as respostas do  passatempo do jornal

Newsletter

Cadastre-se e receba as principais notícias

Campanha SORRIA

sorria_e_compartilhe_alegria

Home Nossas Seções Especial A filosofia e os ensinamentos de Jesus
A filosofia e os ensinamentos de Jesus PDF Imprimir E-mail

pensador

Por Edson Outtone

Desde quando surgiu na Grécia Antiga, no século 6 a. C., através dos inúmeros pensadores, a filosofia vem auxiliando a humanidade na busca do conhecimento e na compreensão da Verdade.
Ao dizer que não veio destruir a lei, mas cumpri-la, Jesus deixava claro que a lei divina é inalterável e não há ninguém que possa derrogá-la. Portanto verdade e lei divina são como sinônimos; não se pode falar de uma sem ligá-la à outra.
Como governador do planeta Terra desde sua criação, Jesus enviou emissários para despertar o conhecimento, aproximar o homem da Verdade e revelar a lei divina. Foi assim com os primeiros filósofos, denominados pré-socráticos, que investigaram a origem de todas as coisas na natureza, na busca do elemento fundamental.

Tales de Mileto foi o primeiro filósofo a explicar racionalmente a origem das coisas, defendendo que na água estava o elemento fundamental. Anaxímenes entendia que o ar, como elemento úmido, se formava antes da água e, portanto, seria o elemento fundamental. Anaximandro, por sua vez, afirmava que o tal elemento seria algo quantitativa e qualitativamente indeterminado, o que denominou apeíron. Já Heráclito opunha-se a seus antecessores, afirmando que na natureza a única coisa permanente é a mudança e ficou célebre a frase de sua autoria: "Ninguém entra duas vezes no mesmo rio".
Opondo-se a Heráclito, Parmênides afirmava que só existe o ser, que é imutável, pois aquilo que muda já não é o ser, mas o não-ser. Mas foi com Sócrates que o eixo do conhecimento foi deslocado da natureza para o homem, afirmando que é no autoconhecimento que está a Verdade. O homem, criado por Deus para a perfeição, ao conhecer-se a si mesmo, aproxima-se cada vez mais da Verdade. Portanto ela existe, precisa ser descoberta e alcançada pelo próprio homem.
Agostinho, como expoente da filosofia cristã, também afirmava que o autoconhecimento é o caminho da interioridade, o instrumento legítimo da busca para a Verdade.
Platão, discípulo de Sócrates, usando os mitos para manifestar seu pensamento, demonstra no mito da caverna como o homem pode sair das sombras da ignorância e chegar à luz da Verdade, galgando íngreme caminho, acessível apenas usando a razão e a intuição.
Devemos ainda reverência aos enciclopédicos ensinamentos de Aristóteles, que permitiram ao homem se aproximar um pouco mais da Verdade. A característica principal de sua filosofia se refere ao conhecimento do ser. Aristóteles afirma que o ser pode ser dito de várias maneiras, essência e acidente, potência e ato. Tudo para facilitar o conhecimento da Verdade.
Importa ainda destacar Pitágoras, considerado o Pai da Filosofia, por ser o autor do termo 'Filosofia', quando ao ser chamado de sábio por admiradores pelo vasto e profundo conhecimento, humildemente declinou do título dizendo-se ser apenas um philósopho, um amante do saber.

 

Sob o comando de Jesus

Jesus recorreu a Espíritos de elevada estirpe para preparar o terreno para sua vinda e assim, por mais de meio século, o véu da Verdade foi gradativamente levantado, sempre respeitando a limitação evolutiva da humanidade do planeta Terra.
Quando inicia seu ministério, marca sua missão com vários ensinamentos, dentre eles justamente o "Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará"1, ratificando aquilo que seus predecessores vinham anunciando desde a inscrição grafada no Templo de Apolo, em Delphos: "Conhece-te a ti mesmo e conhecerás os deuses e o universo".
Conhecer-se a si mesmo é conhecer a verdade! E para isso é necessário percorrer um desafiador caminho, tal qual ensinado por Platão, no mito da caverna. Jesus, através dos ensinamentos do Sermão da Montanha, revela como o homem pode descobrir-se, transformar-se, percorrer a trajetória para chegar ao Reino de Deus, que não está aqui ou acolá, mas no próprio homem. As bem-aventuranças mostram esse roteiro seguro. São bem-aventurados os que choram, os que têm fome, os que são injustiçados, os que são humildes, os puros de coração, os mansos e pacíficos e os misericordiosos, pois todos alcançarão o reino de Deus. As virtudes das bem-aventuranças são como o coroamento da trajetória do Espírito no seu aperfeiçoamento, o íngreme caminho que deve percorrer para alcançar a meta final do reino de Deus.
É através dos desafios mencionados por Jesus que o Espírito alimenta a esperança, sacia a sede de esclarecimento, fortalece a fé e prepara-se para a vida futura, onde poderá viver a verdadeira felicidade.
A resignação, a humildade, a pureza de coração, a mansuetude e a misericórdia são virtudes que existem no Espírito e que devem ser desenvolvidas com as experiências proporcionadas pelas múltiplas encarnações. E, à medida que passa pelas experiências na matéria, vai conquistando o autoconhecimento e descobrindo a Verdade.
Baruch Spinoza, filósofo que viveu no século 17, deixou importante contribuição, ao revelar que Deus está presente na natureza e sua imanência em toda a criação ajuda-nos a entender a citação de Paulo, em Atos dos Apóstolos, em que diz: "Em Deus vivemos, nos movemos e existimos", ideia enaltecida por Spinoza como a grande verdade do cristianismo, que esclarece que Deus não veio viver entre os homens, mas vive nos homens.
Quando se descobre como manifestação de Deus, que não só o criou como nele permanece imanente, o homem abandona aos poucos a arrogância, a prepotência, o orgulho para reconhecer que sua evolução até o momento é apenas pequena parte de suas possibilidades, que à medida que vai vivendo, descobre-se, aperfeiçoa-se, abeira-se da Verdade e torna-se livre, sai da 'caverna', como disse Platão, atualiza sua potência, como disse Aristóteles, descobre o Deus imanente em si, como ensinou Spinoza e entende, assim, o ensinamento de Jesus, "os puros de coração verão a Deus"2.


Os limites da matéria

Só aquele que venceu suas limitações, descobriu Deus em si e passou a pensar e agir nos conformes da lei divina, gravada em sua consciência, rompe os limites da matéria, sai da 'caverna' e alcança a luz da Verdade.

"Sois a luz do mundo"3, disse Jesus, e devemos fazê-la brilhar no alto do candeeiro para iluminar a todos que nos rodeiam. Mas como acender a própria luz? Basta o conhecimento intelectual? Não, pois há também homens que se utilizaram de grande inteligência apenas para a prática de atos degradantes e imorais. Esclareceu-nos Jesus que devemos entrar pela porta estreita que conduz à vida, pois larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição e muitos entram por ela 4.
Immanuel Kant, em sua monumental obra A crítica da razão, nos deixou valioso ensinamento sobre a Ética, ao ensinar que não é possível chegar às coisas da metafísica (às causas e princípios, a Deus e suas leis) apenas pelo uso da razão. Na primeira parte da obra, "A crítica da razão pura", ele demonstra que, usando apenas a razão, o homem chegará apenas a um conhecimento teórico da metafísica. Já em "A crítica da razão prática" deixa claro que ao colocar em ação o conhecimento racional, através de conduta reta, pensamento alinhado com o bem, vontade autônoma de agir corretamente sem imposições sociais ou legais, o homem alcança naturalmente aquilo que está fora do mundo material, aumenta sua intuição, que faculdade que todos possuímos, mas depende de atualização constante. Vai assim o homem se aperfeiçoando, podendo chegar à Verdade. A obra de Kant se assemelha à reforma íntima espírita, ressaltando que apenas o conhecimento não abre as portas do reino de Deus, sendo necessária a prática do bem, a vigilância constante dos atos, o exercício do amor, o autoconhecimento. Só assim o homem fará a transformação necessária para passar pela porta estreita e descobrir o reino que já está dentro de si desde sempre.


O papel da intuição

O filósofo Henri Bergson, referência do pensamento francês entre o fim do século 19 e as primeiras décadas do século 20, muito acrescenta ao esclarecimento da Verdade, ao abordar a intuição como a faculdade espiritual por excelência. Assim, o conhecimento, que se inicia pela percepção e aprofunda-se pela razão, completa-se pela intuição. Só esta pode levar a uma visão interior e imediata do objeto de conhecimento, à Verdade. Ele associa a intuição à memória. À medida que o Espírito vai evoluindo, armazena suas experiências na memória e passa a utilizá-las para aprimorar sua intuição, ampliando sua capacidade de vivenciar o objeto de conhecimento por inteiro. Portanto, o futuro do Espírito evoluído é viver pela intuição aproximando-se cada vez mais da Verdade.
Podemos questionar: O que é a Verdade? Onde ela está? Como alcançá-la? E mais uma vez encontramos na fonte segura de Jesus a resposta: "o reino de Deus não se apresenta com aparência exterior, porque está dentro de nós" 5. Não há outra forma de alcançá-lo a não ser pela transformação interior. Alcançar o reino de Deus, conhecer a Verdade, ser livre, ser feliz não é algo, portanto, que possa ocorrer através do dinheiro, títulos, joias, propriedades, pois se o reino de Deus está dentro de nós, carece ser descoberto, carece de coração puro, carece de consciência limpa; só assim entenderemos Jesus: "Bem-aventurados os puros de coração, pois verão a Deus".
Se o autoconhecimento é a medida para se conhecer a Verdade, só há um caminho para alcançá-lo: desenvolver as asas da inteligência e a da moral, que permitirão ao Espírito alcançar o objetivo para o qual foi criado, a perfeição. Para tal há necessidade de esforço constante de superação de limites, pois a cada meta atingida, outras se desvelam e novo empenho, estudo, trabalho e dedicação são necessários para chegar ao ponto final dessa trajetória que ainda não vislumbramos onde está, se pensarmos em algo externo a atingir, mas que a intuição pode nos indicar se estamos ou não no caminho certo, já que o reino de Deus está dentro de nós.

 

1 - João 8: 31-32.
2 - O evangelho segundo o espiritismo, cap. 8.
3 - Mateus 5: 14-16.
4-  Mateus 7: 13-14.
5 - Lucas 17: 20-21

 

Edson Outtone é expositor do IEEF - Instituto Espírita de Estudos Filosóficos, em São Paulo, SP. Trabalha também no Grupo Socorrista Maria de Nazaré.

 

Publicado no jornal Correio Fraterno, Edição 474 - março/abril 2017

 

Conheça os livros da editora

correio fraterno 

 

carrinho

LANÇAMENTO

tem espiritos escuro
 

A esperta Laurinha pergunta sem medo sobre os temas espíritas em mais uma nova série de histórias bem-humoradas que também ensinam além de fazer rir.  

 

Autora: Tatiana Benites
ISBN: 978-85-98563-94-7
14 X 21 cm - 104 páginas 

 

Por: R$ 20,90

LANÇAMENTO

saude e vida
 

 Num minucioso estudo, o neurocirurgião explica  que a doença é consequência de uma luta emocional contínua, entre o querer, o poder e o dever.

 

 Autor: David Monducci

ISBN: 978-85-98563-92-3
14 X 21 cm - 384 páginas 

 

Por:R$ 35,91