
Sábado, 14 de agosto, o jornalista André Trigueiro reuniu espíritas e não-espíritas no Espaço das Orquídeas, na 21ª Bienal do Livro de São Paulo, para falar sobre o tema do seu livro Espiritismo e Ecologia (FEB), trazendo sua preocupação e alerta sobre a saturação dos recursos naturais da Terra, morada que merece respeito e cuidado para que todos possam realizar sua evolução.
“O meio ambiente não está fora de nós”, foi logo avisando Trigueiro no início da sua palestra, seguida de espaço para perguntas da plateia e autógrafo.“Todos nós somos o meio ambiente e em cada um está a responsabilidade de preservar ou destruir a casa onde moramos e vivemos. Já perdemos o direito de errar e só estou aqui porque acredito realmente que tudo isso ainda pode mudar”– enfatiza.
Trigueiro citou vários pontos que se encadeiam entre as duas ciências – ecologia e espiritismo – amplamente comentados em seu livro, lembrando da necessidade de uma maior conscientização individual e coletiva para a adoção de novos paradigmas sociais e econômicos que enalteçam e abracem compromissos objetivos para a melhoria inadiável das condições ambientais da Terra, físicas e espirituais.
Lembrou também que ainda prevalece a ideia bastante equivocada, principalmente entre os espíritas, de que essa vida é passageira, descartável, sendo o verdadeiro mundo apenas o espiritual, o do lado de lá, o que dispensaria os cuidados com a morada física, que estaria “condenada a evoluir”, sonhando-se simplesmente como meros expectadores com a passagem automática do mundo de provas para o mundo de regeneração.
“Não é bem assim, não estamos aqui só de passagem; somos responsáveis pelos nossos atos aqui e agora, no mundo físico e no mundo espiritual. Vivemos nos dois planos e nada impede que a Terra se torne um mundo de regeneração, no aspecto moral, mesmo estando fisicamente destruído por termos provocado anteriormente o colapso dos recursos naturais que nos foram oferecidos. Ora, deveremos dar conta de consertá-los ao aqui retornarmos nos conformarmos em merecer outro deteriorado, igual ao que deixamos, para aprendermos a valorizar o que desprezamos”– destacou.

O jornalista comentou ainda que não vivemos uma crise ambiental, mas uma crise ética. Citou também o artigo que escreveu para a edição 434 do jornal Correio Fraterno – Nosso Lar é aqui e agora – onde destaca a ilusão que muitos vivem, aguardando e sonhando com uma colônia espiritual de beleza e tranquilidade, sem dar-se conta de cuidar do mundo atual onde vive como encarnado.“Se a maioria escolher o caminho do ecocídio para a Terra, não acredito que Deus venha intervir na nossa liberdade, pois se ficarmos parados, destruindo e depredando, o planeta não terá como repor os recursos que se esgotaram, não estando simplesmente “condenado a evoluir”, como muitos imaginam. Isso demanda tempo, esforço, trabalho e vai depender de nós.“Não podemos confundir mundo de regeneração com mundo fisicamente saudável. Quem reencarnar no futuro vai ter que retomar esse estrago e reconfigurar a teia do mundo, onde tudo se encadeia na Lei da Unidade, como bem explica a doutrina dos espíritos. É preciso, enfim, buscar em tudo uma visão sistêmica e, se eu tivesse que resumir o livro em uma frase, eu diria: “Ainda há tempo de corrigir o mundo!” E concluiu: “Se o momento é de transição, é bom não se descuidar. Por conveniência ou convicção, todos estão aderindo à questão da preservação ambiental. Preocupar-se com o meio ambiente não é uma opção, é uma obrigação, uma necessidade. Não dá pra sustentar o modelo atual por muito tempo”.

"Só estou aqui porque acredito que o mundo ainda tem jeito."
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