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Fé na Prevenção - com Maria Heloísa Bernardo PDF Imprimir E-mail
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União de forças no combate à drogadição

Izabel Vitusso

Apoiado nas diversas lideranças religiosas e movimentos sociais afins, o governo federal deu início, no mês de junho, ao projeto “Fé na Prevenção”, considerando o importante papel e influência dessas instituições no contexto social. Uma das metas será capacitar, até 2011, cerca de 20 mil líderes religiosos, para atuar na prevenção do consumo de álcool e outras drogas, em comportamentos de risco e situações de violência de todo o país. Convidada a representar o movimento espírita, a psicóloga Maria Heloísa Bernardo, diretora técnica do Centro de Tratamento Bezerra de Menezes, em São Bernardo do Campo, SP, fala sobre o tema e os desdobramentos das ações no meio espírita. A Entrevista na íntegra pode ser lida na edição 422, julho agosto do Correio Fraterno.

Por que você foi a convidada para representar o movimento espírita nesta iniciativa governamental?

Eu já tinha um relacionamento longo com o pessoal da SENAD – Secretaria Nacional Antidrogas. Como diretora técnica, há mais de 20 anos do Centro de Tratamento Bezerra de Menezes, coordenei fóruns sobre tratamento e prevenção ao uso de drogas, em Brasília, atividades em Manaus e em São Paulo, desde o governo Fernando Henrique, quando se iniciou a idéia do projeto. Parte de minhas atividades no hospital é estruturar programas terapêuticos, tanto no campo  da psiquiatria como dependência química, incluindo implantação de programas de prevenção em escolas, empresas e outras instituições. Teve um fato que pode ter contribuído: o chefe da segurança institucional do presidente Fernando Henrique, o general Cardoso, era muito conhecido do pessoal do SENAD, que o viam sempre fardado, paramentado, mas como espírita e médium, muitos sabiam que ele freqüentava o Centro Espírita Bezerra de Menezes, onde inclusive incorporava  o Dr. Bezerra de Menezes. Eles sabiam que eu também era espírita e tudo isso, de certa forma, pode ter colaborado para a atenção aqui ao hospital, que leva também o nome Bezerra de Menezes.

Qual foi sua reação e ação com o convite?

Me senti muito pequena para representar a doutrina espírita,  principalmente diante da proposta de agregar os grupos espíritas espalhados pelo país. Meu primeiro pensamento foi verificar quais instituições espíritas poderiam ajudar a reunir pessoas para o trabalho. Pensei na AME- Associação Médico-Espírita Brasileira, que fez a ponte com os principais órgãos representativos no movimento espírita. A idéia foi prontamente acolhida, embora a representante da AME Brasil, Dra. Marlene Nobre dissesse que as AMEs não teriam pernas suficientes para bancar um projeto dessa natureza. Abriu-se ao apoio, mas sugeriu que  fundássemos uma AME em São Bernardo, que por sinal já está na ativa.

E especificamente no movimento espírita, que ações já foram tomadas?

Desde a primeira reunião da SENAD, reunimos  médicos,  terapeutas espíritas e estamos trabalhando na fundamentação espírita, material que deverá ser apresentado à, SENAD tanto na parte da contextualização, como na proposta  prática, através de oficinas psicopedagógicas. A AME de São Bernardo já está em ação e será oficialmente fundada no dia 30 de agosto, num grande evento realizado, que vem agregar à execução deste projeto, o I Encontro de Valorização da Vida, sob a coordenação da Instituição Assistencial Meimei, Conselho Espírita de São Bernardo e a AME – Associação Médica Espírita também de São Bernardo.

E outras casas que quiserem participar?

É nisso que penso que vocês podem nos ajudar, porque o Correio Fraterno circula no Brasil inteiro. Nós conclamamos a todos a se unirem a nós, para que todos juntos possamos fazer essa produção. Mais do que a necessidade desse projeto, está na frente a nossa necessidade de união.

Qual o maior diferencial que a doutrina espírita oferece na questão do trabalho de prevenção ao uso, abuso e dependência química?

São muitos, mas um deles é a questão da multiplicidade das existências, da lei de ação e reação. O que é a dependência química? Uma compulsão que a pessoa carrega uma doença crônica, cujos  fundamentos espíritas ajudam a explicar.  Não só a explicar, mas também auxiliar com terapêuticas mais eficazes. Ora, se nós entendermos que somos influenciados por espíritos, e que esses espíritos podem nos levar, não só ao uso de psicoativos,  mas a outros comportamentos compulsivos, nós temos  recursos como a desobsessão, a água fluidificada, os passes, vibrações, como parte da metodologia espírita para o tratamento.

Como você avalia o trabalho de assistência na casa espírita ante os problemas da drogadição?

A dependência química é considerada doença de negação do ponto de vista do paciente,  da família e da sociedade. Ela carrega ainda muito preconceito, por ser freqüentemente entendida como defeito de caráter do dependente. Na casa espírita existe um grande problema: o mecanismo de suprir a necessidade dos assistidos, de maneira geral, em nome da caridade. O dependente químico não pode receber facilitação. Usar o mecanismo do “tenha paciência, tenha caridade, acolha”, dificulta para o dependente reconhecer e assumir as conseqüências danosas relacionadas ao uso de drogas.

Qual é a verdadeira caridade diante da dependência, então?

A verdadeira caridade é oferecer ajuda, mas deixar que o dependente  se responsabilize pelos problemas que ele produz porque usa drogas. Esse é um processo que não é só da casa espírita, mas da família também. As famílias, de tanto amarem e protegerem seus parentes dependentes,  facilitam. O dependente faz uso de substâncias, rouba os objetos de casa, é preso, a família corre e tira da prisão, traz para casa e presenteia o jovem com uma moto, por exemplo, na idéia de que lhe agradando, vai evitar que ele busque novamente as drogas.  Esse mecanismo empurra ainda mais o dependente para o abuso de álcool e outras drogas e, conseqüentemente, a comportamentos disfuncionais.

O que leva uma pessoa a procurar drogas, agora psicologicamente falando?

As pessoas usam substâncias psicoativas para alcançar o bem-estar, o prazer, a alegria. Basta avaliar o mundo moderno e ver que no lugar dos verdadeiros valores da vida, as pessoas estão correndo atrás da materialidade, do prazer, da resolução dos problemas de forma fácil e rápida. A droga traz isso. Além do que, ela entra em um processo  interessante: em presença de dor – física, emocional, moral, espiritual –  você coloca algo, esse algo pode ser , e geralmente é,  um comportamento compulsivo, que é fazer alguma coisa demais. O resultado é prazer imediato e dor futura. E na presença desta, cada um tem uma maneira de reagir: enfrentando o problema; evitando o problema, colocando uma peneirinha na frente do sol; usando drogas, álcool; ou tendo um comportamento compulsivo, que pode ser, por exemplo, gastar demais, praticar sexo demais, trabalhar demais. Hoje a psiquiatria e a psicologia já reconhecem essas compulsões, cuja denominação é TOC – Transtorno Obsessivo Compulsivo – como a base do problema, tanto que ao se tratar um dependente, consideramos o fato de, ao parar o consumo de substâncias, durante o processo de recuperação, o paciente freqüentemente irá desenvolver uma compulsão substituta. Agora, o Espiritismo explica tudo isso. Existem trabalhos maravilhosos, sendo realizados pelas casas espíritas, como é o caso da IAM – Instituição Assistencial Meimei, em São Bernardo, com uma bagagem de 40 anos de assistência aos dependentes e familiares. E também de outras casas, como as do interior de São Paulo. Tudo isso tem que se transformar num material mais divulgado, um referencial para a prevenção, em função da experiência ao longo de tantos anos. E-mails: bezerra Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. .  Informações para o Encontro de agosto: E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. .  Fone: (11) 4176-8600.

Leia mais na edição 422 ( julho / agosto de 2008) da edição impressa do jornal Correio Fraterno). 

 

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