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Espiritismo em canal aberto PDF Imprimir E-mail
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Paulo Roberto Viola

Paulista de Campinas, o atual ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi era jornaleiro, em 1980, quando iniciou sua carreira política como deputado federal, passando pela secretaria municipal e estadual, no Rio de Janeiro, à presidência do PDT, até chegar a Ministro do Trabalho e Emprego do governo Lula. Espírita desde os 13 anos,lembra que cedo despertou para o interesse do fenômeno da morte, que lhe parecia um tremendo abismo. Ao passar em frente à sede da Federação Espírita Brasileira, no Rio, resolveu entrar e assistir a uma palestra. Passou então a estudar a Doutrina e a frequentar o Centro Espírita.

Entendendo a importância da divulgação da doutrina também em canal aberto no sistema televisivo, o Ministro comenta suas impressões sobre esse e outros assuntos em entrevista exclusiva ao Correio Fraterno:

Por que o senhor se tornou adepto da Doutrina de Kardec?

Carlos Lupi - Queria entender o que acontecia com a nossa alma, com os nossos sentimentos, e comecei a ler muitos livros sobre o tema e a ver o mundo pela ótica do Espiritismo, com a qual mantenho uma identificação muito profunda até hoje. Os princípios espíritas me ajudam a compreender melhor o ser humano, a melhor entender sentimentos como o ódio, a raiva, a inveja e o desrespeito. Posso compreender minha própria personalidade, minhas falhas, o meu grau de evolução, o mundo e a vida.

O preconceito religioso já lhe incomodou?

Já incomodou, sim, mas eu nunca escondi a minha opção religiosa. Muita gente ainda olha para os espíritas como se fôssemos feiticeiros ou mesmo ignorantes. Durante minha juventude, sentia-me discriminado pelos colegas de turma. Mas isso foi apenas uma fase. Eu sempre assumi a minha crença porque acho que, como espírita, meu papel é o de ajudar a divulgar a Doutrina e quebrar preconceitos.O Espiritismo é hoje o terceiro maior grupo religioso do País, segundo o senso de 2006 do IBGE. No entanto, ainda é uma religião que não conseguiu o seu sinal de TV.

O preconceito poderia estar retardando essa conquista?

Não é o que me informa o ministro da Comunicação Social, Hélio Costa, com quem eu já conversei sobre o assunto. Segundo ele, a programação é decidida livremente pelas operadoras, que têm liberdade para escolher sua linha editorial e conceder canais ou espaços da programação aos diversos grupos religiosos. Se há algum tipo de preconceito, penso que ele é muito mais de natureza comercial, por parte dos donos desses canais.

A seu ver, uma TV Espírita, em sistema aberto, poderia colaborar com os projetos educacionais do País?

Claro que poderia ajudar, e muito. Eu costumo dizer que o espiritismo é uma nova visão de mundo. Acho que seria muito útil para o País se todas as religiões tivessem meios para difundir a sua mensagem em condições de igualdade. Por isso, apresentei a proposta de uma TV Espírita ao Ministério das Comunicações e estou à disposição para continuar nessa luta. A democracia verdadeira, plena, exige essa igualdade de condições, que é boa para todos.Sustenta-se que o maior legado ético e moral de nossa História vem da administração imperial de Dom Pedro II, que foi um missionário especialmente designado por Jesus.

A seu ver, o que precisa a República para melhor honrar esse precioso legado histórico?

Acho que cada um de nós, na sua etapa, tem uma missão a cumprir. O que falta hoje, não só ao Brasil, mas à humanidade, é um pouco mais de solidariedade, de humanismo. Falta uma visão de sociedade mais justa, menos discriminadora, com as pessoas voltadas para a construção do bem. E isso, a meu ver, independe até mesmo de religião. Depende mais de grau da evolução de cada um de nós.

Como espírita publicamente declarado e desempenhando no momento as altas funções de Ministro de Estado da República, que concepção o senhor tem do poder?

O poder é a oportunidade que o homem recebe de construir sonhos coletivos. Hoje, estou no Ministério do Trabalho e Emprego, vivendo no espaço mais importante que tive na minha vida e tenho a consciência tranquila. Erro todos os dias, mas busco fazer o que é correto. Guardadas as minhas limitações, quero dar a minha contribuição e ajudar a diminuir o sofrimento das pessoas.

Que mensagem o senhor gostaria de deixar para os nossos leitores?

A minha mensagem é a de acreditar, sempre. Acreditar nos sonhos, num mundo melhor, acreditar que vale a pena construir e não destruir; somar e não dividir, elevar o pensamento e não subjugar. Sou muito adepto à filosofia de São Francisco: "é perdoando que se é perdoado".

Leia mais na edição 428 de julho/agosto do jornal Correio Fraterno.
 

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