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Home Nossas Seções Baú de Memórias Quando convivi com Vinícius
Quando convivi com Vinícius PDF Imprimir E-mail
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Conheci Vinícius* quando ainda mocinha e ia com a minha mãe ouvir as suas palestras aos domingos na Federação Espírita. Eram momentos de grande emoção, encantamento e, principalmente aprendizagem espiritual. Ele dizia que quando chegava lá para palestrar, a sua cabeça estava completamente oca e, ao começar a falar, as palavras vinham aos turbilhões no seu cérebro, descendo até os lábios. Para nós eram como gotas de mel e amor a inundar o ambiente.

Mais tarde o encontrei na escola onde meus filhos estudavam. Era o Educandário Hilário Ribeiro, na Rua Guarará, nos Jardins em São Paulo. Ele era um dos responsáveis pela escola e já estava com bastante idade. Aos sábados Vinícius tinha, no período da tarde, um trabalho de Evangelização, onde eu e outras pessoas comparecíamos. E como era emocionante ouvir aquele velhinho, de quase 80 anos, ensinar a doutrina de Jesus. Sempre muito educado, era caprichoso no vestir. Cabelos brancos, olhos claros e meigos e com um conhecimento profundo da doutrina espírita. O prazer que nos causavam as suas aulas era tão grande que hoje revivo com grande intensidade. Explicava os ensinamentos de Jesus com suavidade, lógica e um carisma que a todos encantava. E ao finalizar as aulas, lembro-me bem, ele dizia: agora vamos para a sobremesa, que era ler algo romântico para encerrar a reunião. E lia com grande emoção e doçura um capítulo do livro Plenitude, de Amado Nevo, um escritor argentino.

Vinícius era muito preocupado com a educação. Seus livros, O Mestre na Educação, Na Seara do Mestre, Nas pegadas do Mestre, Em torno do Mestre são todos sobre educação. Ele achava que quando todos fossem educados não seria necessário haver prisões, nem penitenciárias. Certa feita, ao inaugurar um orfanato na cidade de Piracicaba, falou que se cada família daquelas que ali estavam adotassem uma criança abandonada, não haveria a necessidade daquela inauguração.

Depois das reuniões, eu e meu marido o levávamos para a sua casa. Eu me sentia tão feliz como se estivesse transportando alguém especial e único neste mundo.

Vinícius faleceu daí a alguns anos. Quis passar para o outro lado numa cadeira de balanço. Eu fui levá-lo até a morada final do seu corpo, mesmo porque o seu Espírito devia estar bem longe dali em companhia de outros com o seu grau de espiritualidade. Agradeço a Deus pela oportunidade de conhecer Vinícius e aprender com ele a doutrina dos Espíritos.

* Vinícius (Pedro de Camargo) nasceu em Piracicaba-SP em 1878. Foi um dos pioneiros no trabalho de educação espírita a crianças, no início do século passado. Desencarnou em outubro de 1966, em São Paulo.

Esta história aconteceu com D. Sylvia. Noronha de Mello Sarti. Conte a sua também. Escreva para Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

Texto publicado na edição 423 (set/out de 2008)

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