
A Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamada em 1948, reconhece a dignidade e a igualdade de direitos como fundamentos essenciais da liberdade, da justiça e da paz no mundo. Entre seus 30 artigos, somente um deles estabelece o dever. O texto, simples e objetivo, diz : Toda pessoa tem deveres para com a comunidade, em que o livre e pleno desenvolvimento de sua personalidade é possível.
Nos países desenvolvidos e agora também no Brasil, observa-se uma preocupação crescente por atitudes voluntárias no campo social, uma preocupação maior com as mais diversas comunidades, numa nova postura em que pesa a importância da prática da cidadania. Num papel de maior responsabilidade individual no processo de desenvolvimento global, o cidadão tem uma maior atitude de respeito ao meio ambiente, por exemplo, tornando-se esse aspecto primordial na conscientização da preservação da vida como um todo. Diz o espírito Arago, no capítulo XX do livro A Gênese, sobre a transformação da Terra que “tendo chegado tal tempo, este lugar será interditado àqueles que não hajam aproveitado as instruções que aqui vieram receber” . A maturação espiritual da sociedade cumpriria assim as próprias Leis Divinas. Daí o surgimento de uma nova geração com novas necessidades e aspirações mais elevadas, numa conscientização verdadeira da educação do Espírito e para o Espírito.
Assim, estabelece-se, aos poucos, uma cultura de valorização do Planeta em que vivemos, em função das oportunidades que ele nos oferece para aprendizado, onde empresas e cidadãos contribuem diretamente para o desenvolvimento social, conduzindo de forma ética negócios e ações individuais, num conceito renovado de responsabilidade social, de cidadania. São atitudes espontâneas, que não são cumpridas por obrigações legais, mas por obrigações morais dos homens.
Ora, já disseram os Espíritos na pergunta 794 de O Livro dos Espíritos que a sociedade poderia ser regida somente pelas Leis Naturais, sem o recurso das leis humanas, se os homens compreendessem bem as Leis Divinas e “ quisessem praticá-las”. Quando perguntados, então, sobre por que sinais se poderia reconhecer uma civilização completa, não tiveram dúvida em esclarecer, sendo ainda mais enfáticos. “Pelo desenvolvimento moral”, responderam. Isso quer dizer: onde se encontre menos egoísmo e menos orgulho.
Como criaturas perfectíveis, dependemos do contato social para realizarmos o progresso espiritual individual. “No isolamento, o homem se embrutece e se estiola” (O Livro dos Espíritos, item 768). A vida social está, portanto, nas leis da natureza. E é através do convívio social que se coloca o amor em prática – a Deus, ao próximo e a si mesmo. Por isso, certamente, é que fica também fácil entender o verdadeiro sentido da palavra caridade, segundo Jesus: benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições alheias e perdão das ofensas. A caridade, portanto, não se restringe à esmola, mas abrange todas as relações com os nossos semelhantes.
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