• Narrow screen resolution
  • Wide screen resolution
  • Auto width resolution
Assinante do CLUBE

Assinaturas

assine_correio

Follow us on Twitter

Enquete

Você acha que a casa espírita deve ter férias?
 

Livro de Visitas


livro-de-visitas

 

forteplast

Home Nossas Seções Literatura Vinte e dois anos
Vinte e dois anos PDF Imprimir E-mail
Compartilhar

O que para muitos seria motivo de desespero e até mesmo de abandono da vida carnal, para a escritora Amalia Soler foi adubo que fortaleceu sua ação benevolente, expressa neste seu texto, inédito na língua portuguesa  

Diz um antigo provérbio que ninguém se lembra de Santa Bárbara até que troveja; pois, sabe-se que segundo conta a tradição, quando a tempestade se desencadeia e se evoca a dita santa, o raio se detém, em sua carreira e, apesar de fazer tão grandiosos benefícios – segundo certificam seus crentes – a humanidade se esquece de sua conseqüente protetora. Triste é dizê-lo, porém, a raça humana é tão vulnerável ao esquecimento, que tudo relega ao olvido; desde o milagre da mística fábula, até os grandes princípios das escolas filosóficas e seus inegáveis consolos.

Somos os primeiros a nos acostumar, como os outros, a viver no meio da luz e não apreciamos, como deveríamos, o imenso bem que nos tem proporcionado o conhecimento do Espiritismo e o que proporciona aos outros. Necessitamos ver, bem de perto, algum grande infortúnio para apreciar todo o horror que há na sombra e toda a felicidade que há na luz.

Ontem, tivemos ocasião de bendizer o Espiritismo, porque estivemos falando com um ser profundamente desgraçado; é um jovem de vinte e seis primaveras que, faz vinte e dois invernos, sofre uma penosíssima doença. É um Espírito amante do progresso, racionalista, por excelência; em seus olhos irradia o fogo da juventude, em sua testa pensadora se vêem prematuras rugas; a expressão de seu semblante é doce e amarga, ao mesmo tempo, seu sorriso é triste. Vê-se que é um homem que pensa, que sente, que quer; por conseguinte, seu estado de prostração deve fazê-lo sofrer muito; pois, há espíritos nos quais a escassez de sua inteligência minora seu padecimento, porque vivem sem aspirações. Em muitos seres, a conformidade não é uma virtude, é um costume adquirido sem violência; há homens humildes que padecem, porém, inclinam a cabeça, dizendo "Deus o quer" e, ante esse místico e ilógico raciocínio, cruzam os braços e se entregam à inatividade, sem luta, sem contrariedade. No entanto, há outros indivíduos, como acontece com o jovem de quem nos ocupamos, que não se conformam em morrer lentamente, querem saber a causa de sua morte e assim, suas vidas têm um fundo muito sombrio. O pensador dominado por uma doença é profundamente desgraçado e nosso amigo o era. Nasceu forte e robusto e, em quatro anos neste mundo, começou a sofrer com um tumor na pélvis, o qual teve tão numerosa descendência que já passaram vinte e dois anos e ainda suas raízes brotam novamente, abrindo até onze bocas ao redor do tumor primitivo e, como é natural, nosso amigo ficou coxo e todo seu ser está meio retorcido por uma doída contração. Além disso, está bastante surdo e sua crônica doença tem períodos tão horríveis que, em certas ocasiões, aumenta a dor de suas feridas, a ponto de ficar prostrado em seu leito e ter que permanecer, longas temporadas, encostado, de um lado, sem poder trocar nunca de posição; temporadas que duram, às vezes, dois anos, ano e meio, dois meses e quinze dias. E, em estado normal, quando pode andar e se dedicar a seu trabalho de alfaiate, o infeliz tem que se curar, pelo menos, duas vezes por dia e, quando suas feridas se fecham, ele mesmo tem que abri-las para que acabem suas agudíssimas dores.

Pobre jovem! Tão inteligente! Tão afetuoso!... Ter que viver fechado, em si mesmo, pois, para ele está negada a ternura de uma esposa, as carícias de inocentes pequeninos, que subindo em seus joelhos, digam-lhe: "Pai!...". Para ele não há mais que o isolamento; monge do infortúnio teve que aceitar a solidão íntima, sem que uma esperança lhe sorria. Para ele não há mais que o túmulo, somente nele, acredita, logicamente, que deixará de sofrer.

A única alegria que foi concedida a este desgraçado é a de ter uma mãe amorosa que cuida dele com a mais terna solicitude e o envolve com os amorosíssimos cuidados, que tanto consolam a um doente. A pobre mulher que é muito boa cristã e cumpre, fielmente, todas as práticas da religião romana, ensinou sua religião a seu filho o quanto pôde e lhe recomendou sempre que rezasse para este ou para aquele santo a fim de obter a proteção divina, porém, nosso amigo dizia a sua mãe:

– Senhora, eu não entendo como é esse seu Deus! Que pecado posso ter cometido para receber um castigo tão horrível? Se fiquei doente quando tinha quatro anos, que tinha feito eu com essa idade? Que arma homicida teria levantado eu contra meu próximo? Que calúnias teriam proferido meus lábios? Que plano infernal teria sido urdido em minha mente? Que guerra de extermínio teria eu provocado? Todo efeito tem sua causa, minha doença não a tem. Eu tenho irmãos que estiveram no mesmo ventre materno em que estive eu e eles estão bem e sãos, enquanto que meu corpo é um depósito de podridão. É um mal hereditário? Não, meu pai é um homem robusto, a senhora desfruta de saúde. Por que eu tenho que ser o desgraçado Jó desta família?

– Porque Deus quer provar tua paciência. – respondia a mãe.

– Isso é um absurdo, senhora! Se Deus tudo vê, se Deus tudo sabe, se Ele não tem véus para o amanhã; compreenderá, desde o momento que gera seus filhos, o que estes podem sofrer. A senhora seria capaz de me ter martirizado para ver até onde chegava meu sofrimento?

– Ah! Não, filho de minhas entranhas, se para te tirar um minuto de penas, eu carregaria, muito contente, um século de dores!

– Então, a senhora é melhor que Deus!

– Cale-se, rapaz, não digas barbaridades! Se Deus é o conjunto de todas as perfeições!

– Então, por que não ameniza meus sofrimentos? E a senhora, por ser uma pobre mulher, sofreria, com gosto, o mal que me afeta? Desengane-se a senhora, Deus não existe, se existisse eu não estaria sofrendo tão horrivelmente! Não me venha a senhora com santos nem com ladainhas. Nascemos não sei por quê, vivemos por um mistério e morremos porque as forças esgotam-se. Quando se gastarão as minhas?...

E nessas inquirições passava nosso amigo sua triste vida. Assim viveu dezoito anos, quando um ancião, trabalhador do cais de Tarragona, deu a ele um pequeno livro, intitulado O que é o Espiritismo e lhe disse:

– Lê isto, moço, se queres renascer.

O pobre doente devorou aquelas páginas e, em seus admiráveis diálogos, sua alma, faminta de justiça, pôde saciar-se com o sadio alimento da verdade, amadurecido com o sal da razão. E a partir daquele dia, apesar de não ouvir, a não ser com muito esforço, acode às sessões espíritas, escuta, ansioso, as comunicações dos espíritos, lê os jornais espíritas e escuta e faz ainda mais, propaga a boa nova com suas palavras, com seus bons atos, com sua resignação. Já não diz que Deus não existe; hoje, clama, com íntima satisfação:

– Deus é grande! Deus é misericordioso! Porque cria e não destrói. Eu espero! Eu acredito! Eu amo a luz! Eu renasci! Eu devia a meu pai a vida do corpo; porém, devo a Deus a vida da alma. Bendito seja!... Não sou uma vítima do capricho da sorte, não sirvo de ensaio a um Deus torpe. Sou o que quis ser, pago o que devo; apliquei mal meu tempo, semeei ventos e colho tempestades; porém, eu deixarei meu esfarrapado invólucro, meu Espírito ver-se-á livre destes membros corroídos pela putrefação! E serei jovem! Belo! Cheio de virtudes! Amarei uma mulher! Formarei uma família! Serei grande! Serei um gênio! Viverei, porque agora não vivo! Não sou um deserdado! Tenho minha herança, tenho parte no banquete da vida!

E o olhar de nosso amigo irradia algo divino, algo que não se pode descrever nem copiar, pois, como disse um sábio: pode-se retratar os olhos, porém, jamais, trasladar-se-á à tela o fogo de um olhar.

Quando nós escutamos seu relato, quando multiplicamos nossas perguntas e o vemos tão resignado, tão racionalmente convencido de que quem muito paga, muito deve, então, dizemos: "Que consolo tão imenso veio difundir o Espiritismo!". Disse Castelar que Deus está sentado no topo dos mundos, tendo em sua mão uma catarata do rio da vida. O Espiritismo também tem em seus princípios fundamentais, a catarata do rio da esperança, a fonte do progresso eterno, a torrente inesgotável da razão, o grandioso oceano da verdade!

Nosso pobre amigo, que vive sem viver, dominado por uma dor contínua, que em nenhum momento de sua vida está livre de sua penosa mortificação, que de tudo duvidava, esperava a morte, o caos, o nada como a única felicidade possível... O nada que destrói seu ser e aniquila seu eu, era a única ilusão que acariciava sua mente... E, em um momento, renascer, viver, sonhar, pressentir, esperar, acreditar e amar aquela mesma dor que o tortura, compreendendo que, em certos planetas, como diz Villamarín, o sofrimento é o agente da marcha do mundo. Esta metamorfose é tão grande, sua importância é tão transcendental! Dormir em um túmulo e despertar no infinito! Esta transição da morte à vida, somente a pode ter o Espiritismo, as vozes de além-túmulo, que dizem ao desventurado: "Levanta-te e anda! Tua é a Criação, com seus mundos de luz, com sua eterna luta e seu eterno progresso. Confia! Espera! Ama! Perdoa! Trabalha! Vive! Porque seu destino é viver eternamente!".

Oh! Bendita seja a hora em que o Espiritismo veio para abolir a escravidão dos cegos, dos aleijados, dos órfãos, dos mártires do infortúnio, que em suas fogueiras de dor sucumbem!

Nosso pobre amigo, que leva vinte e dois anos de sofrimento, quanto deve ao estudo do Espiritismo!

Vós que rides, os que nos chamais de loucos, os que acreditais que deliramos, se alguma vez sofreis, se as amarguras de vossa expiação vos fazem cair sob o peso da cruz. Lembrai, então, do Espiritismo, estudai suas obras, procurai seus fenômenos e encontrareis o que encontrou nosso amigo: a causa de seu sofrimento.

Uma razão suprema! Uma verdade Divina! Um Deus imutável e eterno! Um porvir de glória! Um progresso infinito! A irradiação da vida! A vida em toda a sua grandeza desenvolvendo, no infinito, os caudais de sua eterna luz! Salve, verdade augusta! Salve vida sem fim!

Quão grande é Deus! Feliz o homem que, na Terra, vislumbre um reflexo da esplêndida aurora do porvir!

 

Tradução exclusiva de Emília Coutinho e Débora Z. Vitorino. Texto do livro La Luz de la Verdad, de Amalia Domingo Soler.

 

Newsletter

Cadastre-se e receba as principais notícias




Conheça os livros da editora

correio fraterno

Clube do Livro

anuncio_cle_horiz_2

Lançamento


As mãos de minha irmã

As histórias que compõem
este livro são reproduções
fiéis de diálogos realizados
com espíritos, levados
para tratamento em
reuniões mediúnicas.

Hermínio C. Miranda

14x21 cm • 404 páginas
de R$ 29,90 por R$ 23,90
Economia de 20%

Campanha SORRIA

sorria_e_compartilhe_alegria

Correio nas redes sociais


issuu-logocute-twitter-logo

logo-youtube

facebook

Correio na Rádio


radio

Ouça e participe do programa

Universo Espírita.