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Espiritismo, o grande desconhecido PDF Imprimir E-mail
Escrito por Heloísa Pires   
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É preciso estar atento aos esclarecimentos trazidos por Allan Kardec sobre seus milenares conceitos para que não haja deturpações da verdade, pelo orgulho e vaidade dos homens

Heloísa Pires

Lendo o livro de Humberto Rohdem sobre Paulo de Tarso, pensei em como a compreensão do consolador prometido por Jesus é difícil ainda nesse século 21. Quanta confusão em relação à doutrina espírita!

Na apresentação do mestre de Lyon, Allan Kardec, a doutrina ainda é nova, mas os conceitos espíritas vêm dos séculos. Quinhentos, oitocentos anos antes da vinda de Jesus, enviados por ele, sacerdotes druidas que viviam nas Gálias já professavam uma doutrina, o druidismo, com conceitos espíritas. Reencarnação, intercâmbio entre encarnados e desencarnados, importância do pensamento e inexistência da morte já eram bem apresentados.

Com Sócrates, a verdade brilha intensamente; ele faz o convite para compreendermos a necessidade do “orai e vigiai de Jesus”, porque a alma fica tola quando encarna, diz o grande filósofo. Mas é com Cristo que as luzes se acendem em toda a intensidade; o grande Mestre exemplifica a arte de viver bem, vive e teoriza sobre a verdade que nos liberta, demonstra algumas possibilidades especiais que possuímos.

Jesus envolve Saulo de Tarso, que compreende a grandeza dos seus ensinos e começa a divulgá-los através de grandes sacrifícios pessoais. Apedrejado, enfrentando dificuldades, trabalhando para o próprio sustento, Saulo se transforma no grande Paulo, explicando o que Jesus queria dizer... Luta contra ideias pagãs e judaicas que poderiam mutilar os seus ensinos. O trabalho é intenso e produtivo, mas deturpações vão surgindo. Fruto do nosso egoísmo, vaidade e ignorância, criamos uma doutrina tão diferente dos ensinamentos do Mestre que a tornamos irreconhecível. Como diz o pensador Khalil Gibran, se Jesus encontrasse o nosso Cristo não se reconheceriam.

José Herculano Pires destaca nos seus vários livros, inclusive em Revisão do cristianismo e Espiritismo, o grande desconhecido, a necessidade de estudarmos Kardec para compreendermos a verdade que liberta; fala sobre a hipocrisia que causa os grandes males na incompreensão da arte do bem viver. E muitos que deveriam contribuir para a genuína divulgação da cartilha do amor de Jesus continuam perdidos em confusões e novidadeirismos. Não lembram do belíssimo trabalho de Kardec em O livro dos médiuns, no qual explica a necessidade de estudarmos a linguagem dos espíritos para verificar se os nomes apresentados correspondem à realidade, enfatizando que os escritos de determinado espírito devem trazer as suas características. Como cita João, “não devemos acreditar em todos os espíritos, mas verificar se eles vêm de Deus”, e precisamos tomar cuidado quando nomes conhecidos são usados, pois espíritos nobres preocupam-se em auxiliar os encarnados com mensagens lógicas, que fazem um apelo à razão e convidam ao bem.

Hoje, quando o espiritismo vem sendo tão bem considerado fora das casas espíritas, muitos dos que as frequentam ainda fazem confusões e raras vozes se fazem ouvir para esclarecer e evitar novas deturpações.

O exemplo de Chico

Um espírito nobre reencarnou na Terra e fez um trabalho belíssimo, assessorado por Emmanuel, para colocar com Kardec os pingos nos ‘is’: Francisco Cândido Xavier.

Através da psicografia e de sua vida, nos convida ao desenvolvimento que nos é próprio – “sois deuses e luzes”, disse o Mestre. Acende sua preciosa luz, ajuda no despertar dos reencarnados adormecidos.  Sua vida é um exemplo de sacrifício e amor. Desencarna, mas bem antes avisa que o seu mentor Emmanuel já estava reencarnado na Terra.

Após sua partida, alguns médiuns começam a recebê-lo mediunicamente. Mas não há característica alguma nas mensagens do modo de ser de Chico Xavier... Como disse Erasto, é melhor rejeitar noventa e nove verdades a aceitar uma mentira.

Fico me perguntando então: Qual a intenção? Ingenuidade? Falta de compreensão dos livros básicos de Kardec? O problema torna-se ainda mais grave quando surgem as comunicações de Emmanuel que, como dito, já se encontra encarnado, fato inclusive confirmado na voz do próprio Chico, em gravação original apresentada por Nena Galves, no 3º Encontro Nacional dos Amigos de Chico Xavier, em julho passado. Francisco Xavier não merece nossa credibilidade?

Se Emmanuel reencarnou, usa agora uma nova identidade e não ficaria se comunicando através de mensagens e livros que o impediriam de realizar a tarefa para a qual veio. Cumpre-nos aplicar o uso da razão, o discernimento. Como poderia o espírito ficar numa “vida virtual”, escrevendo livros se está encarnado? Até poderíamos pensar em uma comunicação rápida, o que também seria desnecessário. Mas viver mais na vida passada do que na atual contraria a própria Lei.

Diz Paulo de Tarso: “acorda tu que dormes, levanta-te dentre os mortos e volta a caminhar”. Vamos todos acordar, então, para não fazermos com o espiritismo o que fizemos com o cristianismo: deturpá-lo, mutilar sua verdade  para atender aos nossos interesses, por ignorância, orgulho e vaidade.

Que, agora, mais de dois mil anos passados da vinda de Jesus, consigamos caminhar de cabeça erguida, olhando as luzes que nos envolvem, não mais permanecendo focados no barro, na iniquidade e criando dores terríveis. É hora de crescer. Precisamos do alimento sólido trazido por Jesus. Somos o sal da Terra e vamos salgá-la.

Pedagoga, oradora e escritora espírita, Heloísa Pires é filha do professor e filósofo Herculano Pires.

 

 

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