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Alice no pais do autoconhecimento PDF Imprimir E-mail
Escrito por George De Marco   
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alice no espelhoTenho uma prima que se chama Alice. Todos os meus oito leitores já sabem disso, mas é bom repetir. Desde que vim morar em São Paulo, ela e eu trocamos e-mails quase que diariamente, analisando o mundo e, principalmente, a nós mesmos.

Ultimamente, porém, Licinha (para os íntimos) está tristinha. Sua grande amiga está muito doente, vitimada por um AVC. Os e-mails de Alice andam pungentes, carregados de emoção. Neles, ela relata alguns diálogos que trava com a amiga: “nossa conversa é sobre nós mesmas, sem pudor e mentiras, mas com o Cristo nos dando os parâmetros”– ela diz.

Por isso, resolvi, mais uma vez, trazer as considerações que minha prima faz diante desta dor, pois acredito que poderá ajudar a alguém que enfrente situação parecida.

A tristeza de Licinha vem não só pela situação da querida amiga, mas, segundo ela, também pelo fato de ela ter se dado conta de sua “infantilidade como ser humano e filha de Deus”.  Juntas,  elas leem o Evangelho, riem, choram e, principalmente, são honestas consigo mesmas. “Ela sabe mais de minha vida que eu mesma”– escreve. “Nossas conversas nos melhoram, mas o que conta mesmo é a prática”. Através das conversas francas, ambas praticam o “conhece-te a ti mesmo”, conforme a questão 919 de O livro dos espíritos, quando Kardec pergunta aos espíritos da codificação “qual o meio mais eficaz para nos melhorarmos nesta vida e resistirmos às solicitações do mal?” E a resposta é simples e direta: “Um sábio da antiguidade vos disse: Conhece-te a ti mesmo”. Ou seja, devemos nos conhecer intima e interiormente. Mas um conhecimento real, pois não somos bons juízes de nós mesmos e encobrimos nossos defeitos e dificuldades como se, escondendo-as, elas desaparecessem. Aqui, cabe lembrar o Evangelho segundo o espiritismo, capítulo 17, que no item 3, nos ensina sobre o ‘verdadeiro homem de bem’: “é o que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza. Se ele interroga a consciência sobre seus próprios atos, a si mesmo perguntará se violou essa lei, se não praticou o mal, se fez todo o bem que podia, se desprezou voluntariamente alguma ocasião de ser útil, se ninguém tem qualquer queixa dele; enfim, se fez a outrem tudo o que desejara lhe fizessem”. A página em destaque merece ser lida por completo, pois encerra uma análise muito elucidativa. Fica o convite.

Ao lê-la, Alice e sua amiga perceberam, então, que “é isso que viemos fazer aqui no planeta: ‘nos conhecermos’, porque o resto é consequência.  Jesus, em Mateus 12.29 deixou bem claro: “Como poderá alguém entrar na casa de um homem forte e roubar os seus haveres se antes não o tiver amarrado? Todo reino dividido contra si mesmo será devastado...”(idem, 12.25). Aí logo pensamos em algo de ‘fora para dentro’, como ladrões, inimigos; mas não os de ‘dentro para fora’: ladrões, inimigos de nós mesmos.  São os nossos problemas internos que nos transformam  numa “família dividida”, o “homem forte" que, amarrado,  perde os pertences mais valiosos: a alegria, a paz, o amor, a misericórdia”.

Analisar sinceramente nossa consciência, claro, é algo que parte de nós mesmos, e não dos outros. E esta sinceridade não pode ser confundida com valentia, uma característica que Alice encontrava na amiga que sempre dizia “sem medo, sem piedade”: Não quero, não aceito, não concordo; e minha prima sempre se admirou e até se amparou nesta valentia. Agora, então, Alice descobre que “essa valentia de todos nós é aquela do reino dividido contra si mesmo”. Por isso, ela vai se analisando, se comparando, “procurando fazer do meu sujeito forte, um cara desprendido e desamarrado para que a vida não precise me ensinar batendo com muita força”.

Os espíritas costumam dizer que “quando não se aprende através do amor, aprende-se através da dor”. Não é esta dor, porém, que Alice está sentindo. “Ninguém pediu tanto a Deus por mim quanto essa mulher, sem exigências, sem pedir nada em troca”, me conta ela. A amiga partindo sobrará, para minha prima, “poucos para espantar a ignorância e a solidão. Não que isso me assuste, mas fica um vazio, uma sensação que o essencial ainda não foi feito”.

E, como diria a letra daquela canção espírita de autor desconhecido, “o essencial à vida é a sabedoria para conduzi-la. Fazer de cada dia um dia de paz, um dia feliz...”.


George De Marco é jornalista, publicitário e radialista. Realiza atividades como expositor e educador de mocidade espírita. E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

 

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