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Escrito por Joel F. de Souza   
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por-do-sol-na-praiaQuando nós, animais pensantes, dispusermos a nos utilizar de todas nossas potencialidades anímicas, talvez seja tarde demais, porquanto verificaremos, espantadiços conosco mesmos, a incalculável quantidade de tempo perdido por não termos sabido aproveitá-lo. Debruçados sobre o que convencionamos chamar de “o meu trabalho; os meus bens; os meus prazeres sensuais; a minha aposentadoria; e o meu descanso”, lamentaremos não nos haver dado o tempo necessário para o desenvolvimento das nossas potencialidades morais, como o sentimento do bem, a se manifestarem nas virtudes da gentileza, da educação, da fraternidade, da alegria, do saber ouvir, da não-sofreguidão, da mansuetude, da paz, da compaixão, enfim, do amor. Com o acumular dos anos constataremos, desiludidos, não havermos contribuído em nada para nós, pessoalmente falando, nem para o outro e nem para que o mundo se tornasse melhor.

Trabalhamos, é certo, porém, agora que os celeiros estão fartos, o que faremos? Por que não empregarmos nosso tempo de vida ainda para o cultivo do conhecimento moral, começando pelo conhecimento de nós mesmos? Por exemplo, já nos perguntamos “quem sou eu; de onde vim; e para onde vou?”. Admirar-nos-emos em saber que nada sabemos sobre o objeto mais próximo de nós: nós mesmos.

Talvez, é verdade, tais questões ainda não nos atormentam. Mas, quando nos atormentarem, que não as deixemos de lado justamente por nos atormentarem, derivando para a inconsciência do álcool, das novelas, dos jogos de futebol, do empanturrar o estômago, das festividades com os amigos, das visitas incômodas... Não será em nenhuma dessas atividades desviantes daquelas questões tão claras e tão simples que encontraremos as suas respostas. Aliás, perguntemos: o porvir ou o nada? E, se for o nada, então para que trabalharmos tanto? Para nada? E assim, desorientados, perdidos, frustrados, quanto ao nosso futuro existencial, correremos o risco de nos tornarmos seres materialistas e prejudicarmos o equilíbrio social que tal atitude acarreta: a falta de uma moral individual e social. Quanta angústia!

Por que, durante todo esse tempo histórico, criaram religiões tão apavorantes e ainda tão ameaçadoras como a de um céu inatingível devido às suas elevadíssimas exigências de atitudes morais puras, tornando assim impossível a existência de um homem ou mulher perfeitos capazes de nele habitar? Ou então como a de um inferno tão fácil de nele se instalar, garantindo assim a existência de qualquer homem ou mulher imperfeitos, porém capazes de nele residir? E, em ambos os casos, instalação definitiva! Quanta tragédia, quanta dor moral-espiritual!

Pergunta-se: haverá, neste mundo mesmo, alguma religião capaz de nos responder sobre para onde iremos, se é que iremos para algum lugar após a morte implacável? Haverá alguma religião capaz de nos fornecer uma base certa – tão certa, por exemplo, quanto este escrito que lemos – com relação ao futuro da nossa alma? Como pudemos nos deixar iludir tanto com relação à existência daqueles dois lugares? Foram mais de 2.500 anos sem nenhuma prova, uma sequer, da existência deles!

Ora, se verdadeiramente tais locais existissem, então já tivemos tempo suficiente para conhecê-los! Mas, como até hoje ninguém ainda retornou de lá, então como poderemos sair, afinal, da angústia cética quanto ao para onde irei?”. Então só porque ninguém ainda veio de lá se pode afirmar que ninguém sai deles? Admitamos: isso é explicar uma coisa da qual não se sabe por uma outra coisa da qual se sabe menos ainda.

Onde poderemos encontrar a base certa correspondente à prova concreta da sobrevivência da alma? No espiritismo. Pois, através da mediunidade, põe em contato com o mundo dos chamados vivos os nossos amados que daqui partiram antes de nós. Sim, são os espíritos deles mesmos que vêm nos cantar a melodia das suas imortalidades: não dormem, vivem; não estão insconscientes, pensam; não estão ociosos no céu, agem; não se encontram em nenhum tacho fervente infernal, caminham livres.

Os espíritos progridem em conhecimento, em moral, em virtude, e em amor. A evolução do ser pensante é permanente. Quer saber mais? Leia as obras de Allan Kardec, começando, por exemplo, pelo livro O que é o espiritismo.


(Joel F. de Souza é coronel-aviador, administrador de empresas e filósofo)

 


Kardec responde

No livro O que é o espiritismo, Allan Kardec esclarece de forma objetiva os postulados básicos da doutrina espírita.

Diz ele no preâmbulo na obra que “as pessoas que não têm do espiritismo senão um conhecimento superficial, são naturalmente levadas a fazer certas indagações, às quais um estudo completo lhes daria, sem dúvida, a solução. Mas o tempo e, frequentemente, a vontade, lhes faltam para se consagrarem às observações continuadas. Quereriam, antes de empreender essa tarefa, saber ao menos do que se trata e se vale a pena dela se ocuparem. Pareceu-nos útil, pois, apresentar, em um quadro restrito, a resposta a algumas das questões fundamentais que nos são diariamente dirigidas.

Allan Kardec considera O que é o espiritismo como “uma primeira iniciação e, para nós, tempo ganho pela dispensa de repetir constantemente a mesma coisa”. Assim, o primeiro capítulo, em forma de três diálogos – com um crítico, um cético e um padre – são abordados os fundamentos da Doutrina, assim como a refutação dos principais argumentos dos seus opositores. O segundo capítulo é consagrado à exposição sumária das partes da ciência prática e experimental, um pequeno resumo de O livro dos médiuns. O terceiro capítulo pode ser considerado como o resumo de O livro dos espíritos, abordando assuntos de ordem psicológica, moral e filosófica. “São problemas colocados diariamente e aos quais nenhuma filosofia deu, ainda, soluções satisfatórias. Que se procure resolvê-los por outra teoria, e sem a chave que nos oferece o espiritismo, e ver-se-á que elas são as respostas mais lógicas e que melhor satisfazem à razão”, explica Allan Kardec. E resume: “O espiritismo é ao mesmo tempo uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, ele consiste nas relações que se podem estabelecer com os Espíritos; como filosofia, ele compreende todas as consequências morais que decorrem dessas relações. Pode-se defini-lo assim: “O espiritismo é uma ciência que trata da natureza, da origem e da destinação dos Espíritos, e das suas relações com o mundo corporal.

Veja algumas afirmações de O que é o espiritismo sobre a vida após a morte:

1 - A libertação da alma se opera gradualmente e com uma lentidão variável, segundo os indivíduos e as circunstâncias da morte.

2 - Os laços que unem a alma ao corpo não se rompem senão pouco a pouco, e tanto menos rapidamente quanto a vida foi mais material e mais sensual.

3 - No momento da morte, primeiro tudo é confuso; a alma precisa de algum tempo para se reconhecer, porque está meio atordoada, e no estado de um homem saindo de sono profundo e que procura inteirar-se da sua situação.

4 - Na sua nova situação, a alma vê e ouve o que via e ouvia antes da morte, mas vê e ouve outras coisas que escapam à grosseria dos órgãos corporais; ela tem sensações e percepções que nos são desconhecidas.

5 - As faculdades perceptivas da alma são proporcionais à sua depuração; não é dado senão às almas de elite gozar da presença de Deus.

6 - Os espíritos atrasados são rodeados de uma espécie de neblina que o oculta aos seus olhos, e que não se dissipa senão à medida que eles se depuram e se desmaterializam.

7 - A individualidade da alma foi posta a descoberto de uma maneira, por assim dizer, material, nas manifestações espíritas, pela linguagem e as qualidades próprias de cada uma.

8 - O estado da alma varia consideravelmente segundo o gênero de morte, mas, sobretudo, segundo a natureza dos hábitos que teve durante a vida.

9 - A alma não se perde na imensidade do Infinito, como geralmente se figura; ela erra no espaço e, o mais frequentemente, no meio daqueles que conheceu, e sobretudo daqueles que amou, podendo se transportar instantaneamente a distâncias imensas.

10 - A alma não somente reencontra no mundo dos espíritos os parentes e amigos que a precederam, mas reencontra aí muitos outros que havia conhecido nas suas precedentes existências.

Para saber mais, leia também Educação para a morte, de J. Herculano Pires (ed. Correio Fraterno).


 

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