
Sou professora da rede municipal de Belo Horizonte há 24 anos e, em sala, sempre trabalhei com alguma criança deficiente. Fiz especialização em Arte e Educação, Educador Comunitário e Comunicação Assistiva
[destinada a pessoas surdas e deficientes visuais] e hoje sou intérprete de LIBRAS – Língua Brasileira de Sinais – no Grupo de Fraternidade Espírita Irmã Scheilla.
Inicialmente, por interesses profissionais, ao participar de um projeto de inclusão de pessoas com deficiência, minha professora de Cultura Surda – que é psicóloga e atende a pessoas surdas – comentou em bate-papo informal que gostava muito do espiritismo. Também no curso conheci muitos surdos. Um deles, filho de pais espíritas, que nunca havia participado de uma palestra por não existir em casas espíritas intérpretes de LIBRAS.
Comecei a fazer estágio do curso e uma pessoa do Grupo Irmã Scheilla comentou que na reunião pública de domingo havia interpretação de LIBRAS. Que bacana, pensei. Quero conhecer esta pessoa e, quem sabe, fazer meu estágio lá. Qual foi minha surpresa, era a minha professora interpretando para este amigo em comum!
No começo era só ele. Depois veio a esposa. No outro mês apareceu um senhor e trouxe a namorada. Três meses depois veio outro jovem e com a divulgação vieram outros. Sintonizei-me imediatamente com a tarefa. Vale destacar que a professora intérprete dos domingos já acompanhou até mesmo um casal de surdos durante o trabalho em reunião de desobsessão. Em algumas ocasiões fiz também a interpretação em eventos da União Espírita Mineira.
Os jovens surdos estão frequentando a reunião da mocidade espírita nos sábados à tarde. No grupo, alguns conhecem um pouco da LIBRAS. Os que não sabem vão aprendendo a se comunicar de maneira natural e divertida. Tenho acompanhado-os também em eventos, cinema, apresentação artísticas e percebo como é grande a alegria deles.
É muito importante que os surdos tenham essa oportunidade de participar de todas as atividades nas casas espíritas, ampliando o conhecimento doutrinário e trocando ideias com outras pessoas, num convívio feliz onde todos aprendem uns com os outros.
|