
Sou da região do pantanal matogrossense. Habituei-me aos desafios. Em Cáceres, Cuiabá, Campo Grande, passando por Belo Horizonte e São Paulo. No Rio de Janeiro, estado em que estou compelido a viver, meu aprendizado tem sido alentador. Os anos 2001, 2006 e 2010 foram atípicos. Na vida, além de provas e expiações deparam-se as vicissitudes incitadas pelo livre-arbítrio e as circunstâncias que, segundo o historiador grego Heródoto, invariavelmente machucam o viajor desatento. Em 2001 a minha Carmelina partiu para o grande além, deixando-me só e aturdido com seu surpreendente desenlace. Em 2006 uma decepção amorosa frustrante quase me deixou à deriva, por causa de uma isquemia. Em 2010, outra surpresa: a detecção de um câncer na próstata. Em nenhum momento eu me deixei abater. O que fazer nessas circunstâncias? Arrancar os cabelos, chorar, desesperar-se? Nada disso: fui à luta.
Continuo monitorado pela classe médica que me submeteu à radioterapia com sucesso. Mas minha Carmelina socorreu-me prestativa, informando-me:
– Cuide-se: você virá ao nosso encontro, mas não será agora. Você se livrará desse tropeço e viverá muito ainda: você morrerá velho! Quando chegar a época, será informado, e nós o estaremos esperando.
De outra vez outros espíritos vieram em meu socorro. Um deles, terapeuta do oriente, me confortou generoso:
– Você tem, naturalmente, um pai biológico. Mas doravante eu lhe chamarei de meu filho, porque sou o seu pai espiritual...
Faço saber aos nossos leitores que hospitais e clínicas especializadas estão repletos de médicos espíritas. Conheci dezenas deles, que permitem a prática de uma medicina humanizante, um fenômeno que se repete também nas academias de letras. Neste percurso inusitado, surpreendente, o espiritismo e a poética me mantiveram aprumado, confiante, incólume. Companheiros, neste 2011 estou de volta às tarefas!
Estupefação
A espontaneidade da matéria sugere que, se a vida é coisa séria, indômita, porque não perseverar?
Como deter o ímpeto dos rios que, incólumes afrontam desafios,na saga impetuosa para o mar?
Se a vida é inesgotável oceano, amiúde ela obedece a um plano, cujo desfecho consiste em expressar.
Por mais que o ignoremos, Deus existe! Porque se estorcegar no canto triste, se a política da vida é o verbo amar?
Lybio Magalhães pertence ao conselho diretor do Instituto de Cultura Espírita do Brasil. Expositor e escritor, integra várias academias do Rio de Janeiro.
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