
Década de 80. O professor Raul Teixeira veio a Belo Horizonte para realizar palestras e trouxe consigo dois jovens espíritas de Niterói. Fizemos amizade e não tardei a receber um deles em minha casa, à época de um congresso de Esperanto, e depois a visitar o outro, casado de pouco, na bela cidade fluminense.
Luis Carlos e a jovem esposa levaram-me a uma palestra que ele faria no interior das terras fluminenses. Evento raro; fomos a uma sede de fazenda, visitar a um grupo espírita rural, onde logo começaram a chegar, pelas estradas de terra, os participantes dos grupos vizinhos. O dirigente reparou assustado e curioso meu inseparável caderno de notas, que julgava algo um tanto estranho. As preces realizadas na casa foram longas, intercessórias a mais de uma centena de pessoas (nossa hora de sentir estranhamento) e a palestra, após as duas horas de viagem, em respeito à assembléia, curta. Na volta, o câmbio da velha Brasília não funcionou. E os espíritas conseguiram uma Kombi, que rebocou com uma corda o veículo da capital até uma cidade próxima, a uma oficina mecânica. Todos empurrávamos o carro rebocado na subida, porque a corda teimava em se partir.
Em viagem com meus dois amigos, tive contato com obras interessantes, como dois livros organizados pela União da Mocidade Espírita de Niterói, em memória ao escritor Carlos Imbassahy, um deles intitulado Na hora da consulta e o outro fruto dos esforços do médico e pesquisador Alberto de Souza Rocha. Mostraram-me também o livro de Reichembach, sobre as energias ódicas, e referiram-se à obra de Albert de Rochas e a livros de Léon Denis ainda não traduzidos para a língua portuguesa.
Eram jovens ainda e tinham já amizades com expoentes do meio espírita, como Yvonne Pereira, Hermínio Miranda. E um desejo futuro: criar uma editora para estes livros clássicos do Espiritismo e do Espiritualismo, o que me soou distante àquela época.
O tempo passou e os jovens fundaram a editora Arte e Cultura, com livros que contribuíam significativamente com o movimento espírita. A editora teve vida curta, assim como o amigo Luis Carlos, que retornou à pátria espiritual ainda jovem.
O outro amigo, Alexandre Rocha, transformou a Arte e Cultura em Lachâtre, que tem continuado a missão que ele próprio escolheu na juventude e a quem cabe a famosa frase junguiana: “Minha história é a de um inconsciente que se realizou”.
Essa história aconteceu com Jader Sampaio. Conte a sua também: Escreva para
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