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Home Nossas Seções Mundo Sustentável Pré-sal: futuro do pretérito?
Pré-sal: futuro do pretérito? PDF Imprimir E-mail
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Descobrimos a energia certa no século errado. No mundo do petróleo, é comum repetir-se como um mantra o seguinte ditado: "A idade da pedra não acabou por falta de pedra. E a era do petróleo não chegará ao fim por falta de petróleo". Pois a descoberta do petróleo na camada pré-sal – que poderá chegar a 100 bilhões de barris numa área que vai do litoral do Espírito Santo a Santa Catarina – precipitou um clima de tamanha euforia no governo que qualquer análise menos apaixonada da questão é taxada de pessimista ou preconceituosa. Tentarei aqui, resumidamente, expor a situação naquilo que me parece importante destacar.


Estima-se que o petróleo retirado do pré-sal deverá ser comercializado em escala daqui a 15 anos. E como estará o mundo daqui a 15 anos? É uma pergunta difícil de responder, mas temos algumas pistas. É fato que a exploração do petróleo a 8 km de profundidade e a 300 km da costa demandará investimentos maciços em uma nova plataforma tecnológica. Hoje, ninguém sabe exatamente quanto isso vai custar e, principalmente, qual será o preço do barril daqui a 15 anos. Como toda commodity, o petróleo tem o seu valor de mercado cotado internacionalmente, ou seja, a flutuação dos preços segue a maré das expectativas desse mercado, da oferta e da procura desta mercadoria. Em resumo: não é a Petrobras que define o preço final do barril, mas o mercado. Para que os custos de exploração do pré-sal sejam minimamente justificados, é importante que o preço do barril cubra as despesas decorrentes dessa exploração.

 

Daqui a 15 anos o mundo ainda dependerá fortemente dos combustíveis fósseis (petróleo, carvão e gás) para fazer a roda da economia girar. É isso que justifica a exploração do pré-sal. Mas essa dependência tende a se reduzir exponencialmente à medida que o aquecimento global – e seus efeitos devastadores – abre espaço para investimentos públicos e privados crescentes na direção de fontes limpas e renováveis de energia. Além dessa corrida tecnológica – que já está acontecendo - há uma forte tendência de se precificar no mercado o dano ambiental causado por produtos e serviços que demandam muitas emissões de C02. O ex-economista-chefe do Banco Mundial, Nicholas Stern, dá como certa esta internalização dos custos ambientais do carbono. Autor do chamado "Stern Review", um consistente relatório de 600 páginas em que descreve diferentes cenários econômicos a partir do que estaríamos dispostos a fazer para enfrentar o aquecimento global, Nicholas Stern reconhece o desprestígio crescente dos combustíveis fósseis no mundo moderno. Um exemplo disso seria a nova política energética implementada pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. No país que transforma a cada dia 20 milhões de barris de petróleo em fumaça – e que responde sozinho por 25% das emissões globais de gases estufa – estão sendo criadas novas taxas para as empresas que mais poluem e que não cumprem metas de redução de C02. Além disso, Obama usa recursos públicos para premiar novas patentes tecnológicas no setor energético, financiar os chamados green jobs (empregos que atendam às demandas dessa nova fronteira tecnológica) e substituir carros convencionais por outros mais eficientes com motores econômicos, ou até mesmo híbridos.

 

Se os recursos auferidos a partir da exploração do pré-sal não financiarem programas de eficiência energética e inovação tecnológica do Brasil, ajustando a nossa bússola na direção certa, enxergaremos o futuro pelo retrovisor da História. Que depois do pré-sal venha o pró-sol. E que se faça a luz na sombria matriz energética mundial.

 

Jornalista em Gestão Ambiental. www.mundosustentavel.com.br

"Todos os triunfos e fracassos que iluminam e obscurecem a Terra pertencem-nos, de algum modo." Fonte Viva - Lição Pai Nosso - Emmanuel

Leia mais na edição n. 429 setembro/outubro do jornal Correio Fraterno.
 

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