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O chacoalhão do planeta PDF Imprimir E-mail
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A seguradora Swiss Re divulgou recentemente um estudo sobre as catástrofes naturais e também aquelas provocadas pelo homem ao longo de 2009 em todo o planeta. Os números são instigantes: houve 133 catástrofes naturais e 155 causadas pelo homem, com 15 mil vítimas fatais e U$ 62 bilhões de dólares em prejuízos. A tabulação dos dados não compreendeu os estragos causados pelos recentes terremotos registrados no Haiti e no Chile. O interesse das seguradoras em divulgar essas informações é evidentemente comercial. Quanto mais o mundo parecer hostil ou ameaçador, maior a importância de se fazer seguro.


Aos espíritas, cabe a devida contextualização desses episódios lamentáveis, a fim de que se perceba com maior lucidez o que de fato acontece, e por quê.  Em mensagem psicografada por Divaldo Pereira Franco no dia 30/07/2006, no Rio de Janeiro, Joanna de Ângelis nos trouxe a seguinte informação: “Opera-se, na Terra, neste largo período, a grande transição anunciada pelas Escrituras e confirmada pelo Espiritismo. O planeta sofrido experimenta convulsões especiais, tanto na sua estrutura física e atmosférica, ajustando as suas diversas camadas tectônicas, quanto na sua constituição moral”. Entre outras considerações importantes, Joanna lembra que a melhor maneira de compartilhar conscientemente da grande transição “é através da consciência de responsabilidade pessoal, realizando as mudanças íntimas que se tornem próprias para a harmonia do conjunto”. Assim, é forçoso reconhecer que a vibração do planeta está se modificando para melhor acolher esta nova civilização, mais ética e moralmente mais elevada. Todos possuímos excelentes oportunidades na presente encarnação de planejarmos melhor o uso do tempo, o emprego de nossas energias e disposições em favor do aprimoramento íntimo, da nossa própria evolução moral.


Cabem aqui algumas reflexões sobre a onda catastrofista que arrebata certos segmentos religiosos e até mesmo da mídia. Não é de hoje que se apregoa o fim do mundo, e o alarmismo em torno do assunto ajuda a vender jornais e a arrebatar mais fiéis entre aquelas correntes de fé que se esmeram em doutrinar pelo medo. Se é fato que sempre houve terremotos – pois que a Terra sempre registrou abalos sísmicos em suas entranhas no movimento incessante das placas tectônicas – também é verdade que somos a cada dia mais numerosos e ocupamos extensas áreas do planeta onde até há bem pouco tempo não havia ninguém. E registramos com muito mais facilidade – basta ter o telefone celular à mão para transmitir fotos ou filmes – esses cataclismos. A sensação de que há mais terremotos agora tende a ser objeto de questionamento por esses motivos. Mas é fato que os mesmos terremotos de sempre estão ceifando mais vidas, e que, para os espíritas, as desencarnações coletivas obedecem às injunções da Lei .


Também não é a primeira vez que o clima do planeta se modifica. Já tivemos várias glaciações e períodos de maior concentração de C02 na atmosfera. Ocorre que esses ciclos naturais de esfriamento e aquecimento da Terra aconteciam em intervalos de tempo muito maiores, de milhares e milhares de anos. O que uma numerosa corrente de cientistas tem demonstrado é que a Humanidade tem contribuído efetivamente para o agravamento do efeito estufa através da queima de combustíveis fósseis, desmatamentos, manejo inadequado do lixo, produção de cimento, etc.


O risco que corremos nessa “grande transição” é o de deixarmos como legado de nossa passagem pelo planeta – além do agravamento do efeito estufa, a redução dos estoques de água doce e limpa, destruição das florestas, descarte de toda sorte de resíduos em escala monumental, licenciamento de produtos geneticamente modificados sem as devidas pesquisas, desertificação do solo,etc -  marcas terríveis que serão lembradas por aqueles que vierem habitar o chamado “mundo de regeneração” e sofrerão seus efeitos. Eventualmente, nós mesmos, em encarnações futuras. Ou seja, não é inteligente – seja no plano individual, seja na esfera coletiva – atravessarmos essa “grande transição” ignorando a parte que nos cabe na construção de um mundo sustentável.



André Trigueiro é jornalista

www.mundosustentável.com.br

 

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