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O outro lado de portas abertas PDF Imprimir E-mail
Escrito por Eliana Haddad   
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O interesse do público pela comunicação com os espíritos, reencarnação e o plano espiritual superam índices de vendas e audiências, num reflexo irrefreável da alta dos assuntos espíritas. Há atualmente, uma insatisfação, uma busca de um não-sei-que que paira no ar. Desafiando analistas, gerando polêmicas, esses temas existenciais rendem e renderão assunto, por muito tempo. Quem somos? Até onde podemos chegar?

Basta a notícia de algo ‘sobrenatural’ para gerar comentários diversos. Numa visão simplista, muitos acontecimentos causam polêmicas e espanto. Analisados, porém, pelo lado espiritual da natureza, são aspectos normais da interação espírito e corpo. A espiritualidade está em todas as situações, tocando em todos os questionamentos humanos. Claro que há interesse na descoberta do que não se vê e não se toca, mas as respostas podem frustrar, quando consideradas provisórias para questões aparentemente resolvidas.

O Além, na verdade, sempre provocou o imaginário popular. Até que, a partir de 1857, quando foi lançado por Allan Kardec O livro dos espíritos, uma verdadeira enciclopédia do espírito, apenas uma das partes da realidade, que estava teoricamente escondida até então, envolta em mistérios, sem seus conceitos e princípios lógicos encadeados.

Foram os próprios, os espíritos desencarnados, que contaram como era tudo isso e, aqui, os homens de ciência – como Kardec – participaram da empreitada fazendo a sua parte. Comprovaram através da experiência e da observação que a vida era muito mais, refletiram e concluiram que nada terminava para as consciências e a existência do espírito era repleta de emoções, conquistas e decepções. Tudo estava interligado – o antes, o agora e o depois, a alegria e a dor, numa teia indestrutível de idas e vindas, onde a necessidade natural do progresso do espírito impulsionava as mais diversas realizações. Estava, assim, lançada para a humanidade terrena a Terceira Revelação, o Consolador Prometido por Jesus, a revelação escancarada da espiritualidade. O véu se abriu. Restava ao futuro, porém, não apenas espiar, mas participar do novo aprendizado.

Mais de um século se passou e, para quem já conhece e estudou a obra espírita, nada há mais de sobrenatural, havendo sempre muito a se pesquisar, estudar e – principalmente – realizar. Para os que não têm esse conhecimento, porém, a curiosidade e as dúvidas com relação ao fenômeno continuam. Há surpresas ainda com as manifestações mediúnicas, que fazem parte da natureza, há indignação com a dor, há a crença num Deus que pune e castiga, premia e adoça. Há o temor pelo Inferno, a esperança do Céu. Há a culpa. Enfim, como ninguém é perfeito, a humanidade vê-se atordoada e impotente com as diferenças, as intempéries e permanece atrás da janela, sem afastar as cortinas, sentindo-se marionete indefesa de destruição e sofrimento. De alegrias passageiras – o espanto, a insegurança, a incredulidade. Qualquer coisa que saia da natureza da matéria causa reboliço, pois o homem, sem o aspecto espiritual, é incompreensível para a felicidade plena, mantendo-se numa visão restrita que o amedronta e comove. É o bandido, o drogado, o irresponsável, o corrupto, a prostituição, a doença, a violência, o conflito, o desamor, a pobreza, a dor. Todos tentando ser felizes. E haja compromissos!

O espiritismo não é tão simples. É uma doutrina que precisa ser estudada e não está aí para ditar normas, nem ensinar ninguém a ser feliz como uma cartilha de lições a seguir. Jesus veio relembrar a Lei. A doutrina espírita, ao esmiuçá-la, antes de tudo, convida seus seguidores ao exercício da fé raciocinada: compreender e crer. Isso é muito mais e exige esforço da nossa parte. Foi o que fez Kardec. Ele compreendeu o convite.

 

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