Área restrita para assinante do CLUBE UNIVERSO.
Esqueceu sua senha?  Esqueceu seu nome de usuário?
  • Narrow screen resolution
  • Wide screen resolution
  • Auto width resolution
Assinante do CLUBE

Assinaturas

assine_correio

Follow us on Twitter

Enquete

Recente filme de ficção espiritualista envolve o assunto abdução. Você acredita na visita de extraterrestres?
 

Livro de Visitas


livro-de-visitas

 

forteplast

Missão cumprida PDF Imprimir E-mail
Escrito por André Trigueiro   
Compartilhar

trigueiro441Wangari Maathai desencarnou no primeiro domingo da primavera, um domingo, após uma "grande e valente luta contra um câncer", conforme nota divulgada pela família. Em 71 anos de vida, deixou como legado a luta obstinada contra o machismo, a pobreza e a destruição sistemática do meio ambiente.

Lembro-me da imensa alegria que senti quando ela foi agraciada com o Prêmio Nobel da Paz em 2004, o mais importante de todos os Nobel. Foi a primeira vez que uma ambientalista conquistava a honraria, e também a primeira vez que a África recebia a distinção.

A foto que aparece aqui registra um dos mais felizes encontros que tive em minha vida profissional: em novembro de 2009, durante a cobertura da Conferência do Clima de Copenhagen, na Dinamarca, numa das raríssimas pausas para o lanche no Bella Center– onde acontecia a COP-15 – reparei que na mesa ao lado estavam Wangari Maathai e três acompanhantes. Esperei que ela encerrasse a refeição para pedir-lhe uma entrevista, tentando conter minha ansiedade. Muito simpática – embora com a agenda corrida – ela autorizou a gravação e deu a entrevista que exibimos no Jornal das Dez da Globo News daquela noite. Nunca me esqueço da supresa com que boa parte da comunidade internacional reagiu ao anúncio da escolha de Wangari Maathai como vencedora do Nobel. Ela recebeu o prêmio no valor de U$ 1,38 milhão de dólares, concorrendo com gente graúda como o chefe da Agência Internacional de Energia Atômica e inspetor de armas da ONU, o egípcio Mohamed El Baradei.

“Essa é a maior surpresa da minha vida inteira”, disse Mathai ao ser informada da premiação. Na verdade, ela foi uma colecionadora de títulos inusitados. Ainda jovem, teve a chance de completar os estudos fora do país. Formou-se em Biologia e fez mestrado nos Estados Unidos. De volta para o Quênia, tornou-se a primeira mulher a coordenar um departamento na Universidade de Nairobi. Vencendo o preconceito dos colegas – todos homens – dirigiu a Faculdade de Medicina Veterinária onde tornou-se a primeira mulher da África Central a alcançar o título de PHD. Hoje, Wangari Maathai é a vice-ministra do Meio Ambiente do Quênia.

Mas foi em 1977 que a doutora Maathai começou a chamar a atenção do mundo ao criar o Movimento Cinturão Verde. O objetivo era audacioso: recrutar mulheres negras e pobres para reflorestar o país. Com apenas 2% do território ainda cobertos de verde, o Quênia sofre com o desflorestamento acelerado causado pela necessidade de lenha. Sem infraestrutura na área de energia, boa parte da população precisa de lenha para cozinhar e se aquecer nos meses de frio. Um relatório da ONU informava que, no ano de 1989, para cada nove mudas de nove árvores plantadas no Quênia, 100 eram derrubadas. O desflorestamento acelerava a desertificação do solo, a perda de biodiversidade, a morte dos rios e nascentes, o desaparecimento de animais que passaram a buscar refúgio em outras áreas distantes, e cada vez mais dificuldade de achar lenha.

O Cinturão Verde reverteu o processo de destruição das poucas áreas verdes e promoveu o plantio de 30 milhões de mudas de árvores no Quênia, gerando emprego e renda. “Quando plantamos árvores, plantamos sementes de paz”, afirmou Wangari Maathai, reforçando um dos princípios do desenvolvimento sustentável, que é aquele que compatibiliza o ganho econômico com os benefícios ambientais e sociais. À frente do Cinturão Verde, a doutora Maathai formou desde 1992, dez mil pessoas em cursos de capacitação. Criou também a Rede Africana Verde, que disseminou suas práticas pelo continente formando lideranças em quinze países africanos.

O reaparecimento das florestas evita o aumento dos índices de pobreza e miséria, que precipitam as estatísticas de violência. A organização do Prêmio Nobel lembrou que “mais do que simplesmente proteger o meio ambiente que existe, a estratégia de Wangari Maathai é assegurar e fortalecer a própria base para o desenvolvimento ecologicamente sustentável.”

Da distante Suécia, da gélida e rica cidade de Estocolmo, a comissão julgadora do mais importante prêmio do mundo resgatou a história desta mulher, que ninguém conhecia, e que graças ao Nobel da Paz passou a ser referência. O mundo – e a África em particular – devem muito a Wangari Maathai. Missão cumprida!

André Trigueiro é jornalista, apresentador do Jornal das Dez e editor do programa Cidades & Soluções. www.mundosustentavel.com.br.

 

Newsletter

Cadastre-se e receba as principais notícias




Conheça os livros da editora

correio fraterno

Clube do Livro

anuncio_cle_horiz_2

Lançamento

maos pqn
O príncipe do Islã

Um enredo que vai emocionar
pelas tramas e bastidores do
destino de uma luta travada
entre paixões e traições,
envolvendo os mistérios
do amor.

J. W. Rochester (espírito)
Arandi Gomes Teixeira
14x21 cm • 272 páginas
de R$ 30,90 por R$ 24,70
20% de desconto

Campanha SORRIA

sorria_e_compartilhe_alegria

Correio nas redes sociais


issuu-logocute-twitter-logo

logo-youtube

facebook

Correio na Rádio


radio

Ouça e participe do programa

Universo Espírita.