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Perdoar os maus políticos? PDF Imprimir E-mail
Escrito por Aristides Coelho Neto   
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Em texto meu recente, havia me manifestado quanto às aberrações com que frequentemente nos deparamos no rádio e nos telejornais, a respeito das atitudes de muitos de nossos políticos. É o nosso dia a dia, já conturbado constantemente, sendo poluído pelas notícias sobre desonestidades.

Nesse texto calcado em informalidade, eu falava hipoteticamente de que para conhecer as instalações do Congresso só deveriam permitir pessoas maiores de 21 anos... E fazia alusão, obviamente, a uma casa que não tem dado bons exemplos nos últimos anos. Mal sabem eles, os políticos, que nossos atos nefastos têm um peso na balança divina quando atingem poucas pessoas. Esse peso é diferente quando aquilo que fazemos atinge negativamente milhares.

Foi quando li um texto de um publicitário que usa o cognome de Zinho, postado em seu blog Ninguém Perguntou. O autor afirmava que “no Brasil, perdura o hábito de perdoar muito e exigir pouco de nossos governantes [os políticos estão incluídos]. Inclusive, quanto mais perdoamos, mais nos afeiçoamos a eles — e nos dispomos a perdoar cada vez mais, como se o político fosse uma espécie de cachorrinho travesso”.

Esse texto me levou a uma reflexão sobre o perdão. E sobre até onde vai nosso dever de perdoar indistintamente. Jesus, nosso mestre e modelo maior, sempre enfatizou a necessidade de exercitarmos a virtude de perdoar como condição sine qua non para que o Pai Criador também nos perdoe. Ao exaltar a misericórdia que devemos utilizar para com quem nos ofende, o mestre deixa claro que toda mágoa retida impede que as nossas preces alcancem o objetivo. Quantas vezes perdoar? Metaforicamente, Jesus menciona “setenta vezes sete vezes”. Quis na realidade dizer — quantas vezes forem necessárias. Saber perdoar, assim, seria o termômetro que indicaria o quanto somos desenvolvidos espiritualmente. Ou o quanto ainda temos de caminhar.

Nas constantes contendas com escribas e fariseus, Jesus deixou claro que aquele que tem autoridade moral pode e deve tentar conduzir de volta aos trilhos aquele que erra. Assim, perdoar não tem o sentido de “não corrigir”. O mestre, em muitos momentos de sua trajetória deixa claro que não se deve mesmo é alimentar ódio destrutivo por aquele que nos ofende. Isso nos prejudica sobremaneira.

Consultei a pergunta 661 de O livro dos espíritos, inserida no subtítulo ‘Prece’. Sempre pensando nos nossos políticos, examinei a resposta à indagação formulada por Kardec: “Poderemos utilmente pedir a Deus que perdoe as nossas faltas?”. A resposta é: “Deus sabe discernir o bem do mal; a prece não esconde as faltas. Aquele que pede a Deus o perdão de suas faltas só o obtém se mudar de conduta. As boas ações são a melhor prece, porque os atos valem mais do que as palavras”.

Minhas dúvidas se dissiparam. Não me senti na obrigação de perdoar políticos que de forma recorrente cuidam do seu próprio bem em detrimento do bem de todos, utilizando-se maliciosamente de seu cargo e de seu prestígio, nadando em privilégios e sempre querendo mais. Devo apenas entender que ainda não sabem o que fazem. Eles estão acumulando dívidas que só serão anistiadas por meio da mudança de conduta, e do resgate até o último centavo. O meu dever de cristão é não me revoltar — eles são irmãos de caminhada, em processo de evolução, e responderão pelos seus atos.

Não me julgo na obrigação de perdoá-los. Quem vai perdoá-los é Deus, na hora exata, se merecerem e fizerem por onde. Enquanto isso, posso, sim, exercer meu papel de cidadão, não compartilhando com atitudes erradas, sem nutrir qualquer rancor. E denunciando, quando for o caso, se isso se constituir como interesse coletivo (imaginem o que não seria de nós se a imprensa — a isenta — não mais se aventurasse a desvendar falcatruas e divulgá-las...). Não digam que a justiça dos homens não é necessária. Não há espírita que deixe de lado a segurança pública, confiando somente na providência divina.

Imprescindível que eu não me esqueça da eficácia da prece, não para que aconteça um milagre que transforme políticos em pessoas dignas, mas para que a luz da compreensão espiritual os envolva e os faça refletir sobre a Justiça Divina, que tarda mas não falta. E os faça refletir sobre a sábia e reconfortante lei de causa e efeito, uma dádiva de um Pai Misericordioso, infinitamente justo e sábio. E que está atento. Sempre.

Arquiteto, professor e articulista espírita — www.aristidescoelho.com.br

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