
Marcado pelo debate e troca de informações, o 6º Encontro Nacional da Liga dos Pesquisadores Espíritas, realizado em 21 e 22 de agosto, em São Paulo, cumpriu mais uma vez com sua principal proposta: incentivar a amplitude de temas em pesquisas e respeitar a diversidade de opiniões.
Criado em 2002, despertando o interesse de historiadores e pesquisadores de 14 estados brasileiros, e também de países como Áustria, Suécia, Inglaterra, Estados Unidos e Portugal, esse grupo,com marcante participação virtual, surgiu por idealização do pesquisador espírita Eduardo Carvalho Monteiro, que desencarnou em dezembro de 2005. O objetivo sempre foi o de intercâmbio de ideias, ao reunir pela internet estudiosos e interessados na temática espírita. Muitos de seus participantes, inclusive, passaram a ser os responsáveis por levar o espiritismo às bancas de mestrado e doutorado das universidades, o que motivou a criação da coleção Espiritismo na Universidade, que reúne em livros as teses espíritas. O primeiro volume da série – a tese de doutorado Voluntários (Jáder Sampaio-UFMG) – foi lançado no ano passado. O segundo, Unir para difundir ( doutorado defendido por Jeferson Betarello, em Ciências da Religião - PUC-SP) foi lançado durante o 6º. Encontro.
Segundo Jáder Sampaio, um dos responsáveis pelo evento e pela edição dos livros, ambos tiveram bom acolhimento no ambiente universitário. “O primeiro tornou-se a base da disciplina Motivação, Cultura e Terceiro Setor, em curso e com ampla adesão dos alunos da Psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais; o Voluntários terá sua resenha publicada por uma das revistas mais prestigiadas da área de Psicologia Organizacional e do Trabalho no Brasil, a RPOT”.
O trabalho do grupo tem se voltado também para a documentção e divulgação das pesquisas mais recentes, tanto que a Liga e o CCDPE passaram a publicar os anais dos encontros presenciais, com seus respectivos conteúdos - Pesquisas sobre o espiritismo no Brasil: Textos selecionados (2009) e A temática espírita na pesquisa contemporânea (2010).
Jáder acredita que os desafios futuros não serão menores, envolvendo assuntos relevantes como a sistematização das pesquisas e a presença dos núcleos de pesquisa nos encontros anuais da Liga, bem como o incentivo à recuperação da memória espírita.
“É necessário que os pesquisadores, universitários ou não, das diversas áreas, façam pesquisas continuamente e que escrevam os resultados dos seus trabalhos, não para participar de um evento, mas como uma atividade contínua. O evento é uma oportunidade de apresentação e diálogo, mas não deve ser visto como vitrine e sim como reunião de trabalho. Este tem sido o esforço das fundações de fomento à pesquisa no Brasil, e esta mentalidade encontra-se em franca mudança.”
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